
As hortas urbanas já existem em alguns municípios do país e o cenário repete-se: hortas arranjadas com com primor, onde são cultivados uma grande diversidade de produtos hortícolas, árvores de fruto, ervas aromáticas, flores e até videiras, tudo integrado no âmbito da agricultura biológica. O aproveitamento da água da chuva também é contemplado através da instalação de reservatórios em cada um dos talhões, bem como contentores para a produção de estrume biológico. A estes benefícios ecológicos acresce a diminuição da pegada ecológica. É que um dos problemas que temos hoje nas cidades é o facto dos nossos alimentos virem de muito longe, o que implica um maior impacto ambiental devido aos transportes. Em tempos de crise, além da poupança que representa e da vantagem de estar a consumir hortícolas tratados com produtos não agressivos, este projecto traz outros benefícios como o convívio (cada vez menos nas áreas urbanas), e o contacto com a natureza, contribuindo também para a preservação da ruralidade no espaço urbano.
Outro aspecto importante é a dimensão social que estes espaços possibilitam. É que estas hortas podem ser exploradas por qualquer pessoa, mediante a atribuição por concurso. O que se verifica em muitos locais é que muitos dos utilizadores foram "transformados" em agricultores urbanos após uma vida activa exercida em áreas que nada tinham a ver com o cultivo da terra.
Estamos certos que em todos os municípios existem terrenos camarários que poderão acolher pequenas hortas. Estas possibilitam vantagens económicas, ambientais e sociais e proporcionam benefícios do ponto de vista de uma alimentação equilibrada e do combate ao stress e ao sedentarismo.
Pensamos que este é uma forma eficaz de chamar a atenção para as questões ambientais nas cidades.
Fica aqui o desafio aos municípios da ilha de São Miguel: adoptem as horas urbanas.
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