segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Novas concessões nas renováveis penalizam consumidores domésticos

Os 964 milhões de euros que o Governo foi buscar aos concursos das energias renováveis, nos últimos dois anos, davam para uma descida significativa da factura que é paga pelos consumidores domésticos As contrapartidas financeiras que o Estado cobrou às energias renováveis à cabeça, nos últimos dois anos, para financiar despesa pública, permitiam reduzir em 55 por cento o défice tarifário que sobrecarrega especialmente os consumidores domésticos. Se isso tivesse acontecido, os consumidores receberiam uma notícia a que já não estão habituados: veriam a sua factura actual de energia descer entre quatro e 18 por cento.
Com a extensão da concessão das barragens à EDP, os concursos para as novas grandes barragens, para as centrais mini-hídricas e fotovoltaicas, o Governo arrecadou ou vai arrecadar nas próximas semanas um total de 964 milhões de euros, dinheiro com o qual acode à despesa do Orça- mento do Estado. Isto faz do negócio eléctrico e das energias renováveis uma fonte de financiamento apetecível. Mas esta coexiste com uma dívida acumulada nos anos de tarifas artificialmente mais baixas, que chegará a 1758 milhões de euros no fim do ano, e que está a ser paga com juros pelos consumidores - é o défice tarifário.
Não há contas oficiais para o cálculo da redução da factura eléctrica, mas contas apresentadas pelo presidente da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) em Outubro passado aos deputados ajudam a lá chegar. No Parlamento, Vítor Santos disse que o novo subsídio de 60 milhões de euros anuais às eléctricas, a chamada garantia de potência, representa um por cento da subida no preço da electricidade em 2011. Es- te novo custo é pago por todos os con- sumidores. Metade (quase cinco milhões) são domésticos e são estes que pagam os custos com a produção especial a partir de fontes renováveis. Os concursos para as centrais mini-hídricas e fotovoltaicas incluem-se especificamente nesta produção.
Caso revertessem para o sistema eléctrico apenas as contrapartidas financeiras destes dois concursos (110 milhões de euros), o défice tarifário caía seis por cento, o que permitia uma descida de quatro por cento da tarifa para os domésticos. Se a intenção fosse pôr também as receitas das grandes barragens, a grande hídrica, a contribuir, o défice tarifário global descia 55 por cento. Como esta não en- tra na produção especial e é paga por todos os consumidores, metade do benefício seria para os domésticos, que veriam a sua conta da luz descer, assim, 18 por cento, enquanto os médios e grandes consumidores da indústria e serviços tinham uma diminuição equivalente a 14 por cento.
A ideia de Manuel Pinho
A ideia de pôr as receitas da grande hídrica a pagar os custos do sistema eléctrico chegou a ser defendida pelo ex-ministro da Economia Manuel Pinho. Em 2008, quando a EDP pagou 759 milhões de euros pela extensão da concessão das barragens, o então ministro anunciou que o valor reverteria na sua totalidade para o sistema eléctrico, parte para abater ao défice tarifário e parte para um fundo para amortecer as subidas das tarifas eléctricas em anos de seca. No entanto, não foi isso que aconteceu: 528,7 milhões de euros foram para ajudar a baixar os custos em dívida incluídos no referido défice, 55 milhões serviram para pagar as taxas de recursos hídricos dos empreendimentos que ficaram no Estado, constituindo receita do Instituto Nacional da Água, 7,7 milhões de euros foram para a Companhia Logística de Combustíveis da Madeira, e ainda estão por aplicar 167 milhões de euros, sem destino certo. O Ministério da Economia e Inovação admite que "uma parte substancial" poderá ser usada para saldar custos de convergência tarifária das regiões autónomas ainda não pagos, mas ainda não há contas definidas.
O Estado encontrou uma nova fonte de receita na concessão das novas grandes barragens. As licenças para Iberdrola, Endesa e EDP totalizaram 624 milhões de euros de encaixe financeiro e foram utilizados para despe- sa pública geral. Com os concursos para as centrais mini-hídricas e solares fotovoltaicas, que têm de estar fechados até final do ano, o Estado assumiu que procurava a "mais alta contrapartida financeira", como explicita no anúncio do concurso, e espera arrecadar mais 110 milhões de euros ou um pouco mais, sendo verbas que vão servir, de novo, para fins fora do sistema eléctrico.
Teixeira dos Santos assumiu, por exemplo, que 80 milhões dos 550 milhões de euros de défice adicional resultante do acordo PS/PSD para o Orçamento do Estado para 2011 seriam pagos com as receitas de novas concessões nas energias renováveis.
O apetite do Estado por estes paga- mentos à cabeça antecipa, por um lado, o recebimento de proveitos da actividade do operador, que seriam distribuídos no tempo e beneficiariam, em princípio, o próprio sistema eléctrico. Por outro, o mesmo apetite cresceu à medida que as contas públicas se deterioraram, mas esta prática tem uma consequência pouco visível de penalização dos consumidores domésticos, que são os pagadores das tarifas da produção renovável em regime especial. Estas rendas à cabeça, que se transformam em custos do sistema eléctrico, indicam que as empresas do sector andam a pagar cerca de um milhão de euros por megawatt de potência concedida.
O concurso para as centrais solares fotovoltaicas é um exemplo de como as contrapartidas financeiras contribuem para não só não baixar as tarifas, como para as agravar. O Governo pediu um pagamento à cabeça às empresas, o qual compensou com um aumento da tarifa de 75 para 93 euros o megawatt/hora que as empresas receberão quando os empreendimentos estiverem a funcionar. Este sobrecusto será pago pelos consumidores, constatando-se que as rendas pagas antecipadamente são tratadas, do ponto de vista contabilístico, como um royalty, um custo imputado à actividade das empresas, a par das instalações e dos equipamentos.
"O Estado está a usar os promotores de energias renováveis como financiadores e fixa-lhes tarifas garantidas ao longo de anos para se ressarcirem do dinheiro", diz o secretário-geral da APREN, António Sá da Costa. Este responsável refere que no concurso para as centrais fotovoltaicas, o sector "ia propor uma descida da tarifa de 320 euros MWh para 230 e o Estado fixou-a em 269 euros", ou seja, acima do valor que a própria indústria estava disposta a aceitar.
Para além de dar valores mais atractivos para a tarifa garantida, como compensação futura, o Governo, em alguns casos, tem alargado o prazo dessa garantia bem como o das concessões. No concurso das mini-hídricas, o prazo da tarifa chega a 25 anos, mais cinco do que a legislação anterior previa, e o tempo de concessão sobe de 35 para 45 anos.
A tarifa sobe e a factura eléctrica também. As empresas reclamam que, de cada vez que o Governo usa este mé- todo, a pressão financeira sobre elas sobe. A equação entre o esforço financeiro e o retorno futuro é avançada para explicar a desmotivação no recente concurso das mini-hídricas em que alguns lotes ficaram vazios.
A discussão interessa especialmente ao sector das renováveis, na contra-argumentação quanto ao nível real de benefícios de que usufrui e os custos incorporados nas tarifas. O presidente da Endesa Portugal, Nuno Ribeiro da Silva, está entre os mais críticos desta prática governativa, comparando a situação à desventura de uma herança, recebida antes de tempo e por herdeiros fora da família.
(Fonte: Público)

ONU alerta para os perigos da acidificação dos oceanos

As emissões de dióxido de carbono (CO2) poderão causar mais estragos no ambiente marinho do que aquilo que se pensava, com impactos na reprodução, biodiversidade e populações de peixes, alerta um relatório da ONU, divulgado à margem da cimeira climática em Cancún.
Todos os anos, milhões de toneladas de CO2 – o principal gás com efeito de estufa (GEE) – são absorvidas pelos oceanos, tornando-os cada vez mais ácidos, segundo o estudo “Consequências ambientais da acidificação dos oceanos: uma ameaça à segurança alimentar”, lançado pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente.
Nas próximas décadas, as consequências na cadeia alimentar marinha vão começar a sentir-se, alerta o documento realizado por investigadores do Laboratório marinho de Plymouth e pela Comissão oceanográfica intergovernamental criada sob a égide da Unesco.
“A acidificação dos oceanos tem um impacto negativo global sobre os organismos e alguns ecossistemas cruciais que fornecem alimento a milhões de seres humanos”, comentou Carol Turley, cientista do programa britânico de investigação sobre acidificação dos oceanos, que coordenou o relatório. “Devemos começar a pensar no risco que isso representa para a segurança alimentar”, considerou.
O aumento da acidificação dos oceanos tem um impacto nas formas de vida à base de cálcio, como os pequenos organismos chamados pterópodes, principal fonte de alimento caranguejos, peixes ou ainda corais.
No entanto, Carol Turley lembra que este fenómeno ainda não está suficientemente conhecido, admitindo que poderá existir vencedores e vencidos. Por exemplo, o sistema olfactivo de algumas espécies de peixes juvenis poderá ser perturbado, enquanto o dos adultos deverá ficar incólume.
“Não nos podemos contentar em olhar apenas para as espécies. Os cientistas terão de estudar todo o ciclo de vida para ver se certas formas são mais ou menos vulneráveis”, alertou.
Para Achim Steiner, director-executivo do Pnua, a acidificação dos oceanos é “mais uma bandeira vermelha” que erguemos sobre o impacto da acumulação de GEE na atmosfera. “É uma nova peça no puzzle científico, mas ela preocupa-nos cada vez mais”.
(Fonte: Público)

Comissao Europeia lança site que ajuda a escolher os veículos menos poluentes

A Comissão Europeia lançou no passado sábado um novo site de Internet para ajudar «todos aqueles que se interessam pela proteção do ambiente», incluindo poderes públicos, a escolher os veículos menos poluentes e energeticamente mais eficientes do mercado. O portal, disponível permite aceder aos dados técnicos da maior base de dados de veículos da Europa, abrangendo diversos tipos de veículos - desde os ligeiros de passageiros aos utilitários pesados e ligeiros e aos autocarros -, e fornece informações sobre diferentes tecnologias e sobre o consumo de energia e as emissões dos veículos disponíveis nos mercados europeus. Apresenta ainda um panorama das regras em matéria de concursos públicos e dos regimes de incentivo para a compra de veículos não poluentes e energeticamente eficientes nos diferentes Estados-Membros e oferece igualmente apoio à contratação pública conjunta.
(Fonte: Diário Digital /Lusa)

Portugal - 14º país com melhor desempenho na avaliação do comportamento dos 57 países mais industrializados (CCPI 2011)

O Climate Change Performance Index (CCPI) é um instrumento inovador que traz maior transparência às políticas climáticas internacionais. O índice é da responsabilidade da organização não governamental de ambiente GermanWatch e da Rede Europeia de Acção Climática (a que a Quercus pertence) e contou com a colaboração da Quercus na avaliação qualitativa pericial efectuada a Portugal. O anúncio foi efectuado esta manhã, em conferência de imprensa, na Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas que está a ter lugar em Cancún no México. Portugal ficou classificado em 14º lugar em termos de melhor desempenho relativamente às políticas na área das alterações climáticas numa seriação (ranking) que compara o desempenho de 57 países que, no total, são responsáveis por mais de 90% das emissões de dióxido de carbono associadas à energia. O índice mostra que nenhum país dos considerados pode ser destacado como tendo um desempenho satisfatório no que respeita à protecção do clima. O critério específico para esta avaliação são as medidas tomadas por cada país para assegurarem à escala global um aumento de temperatura não superior a 2ºC em relação à era pré-industrial. Assim, o CCPI 2011, tal como no ano passado, não tem vencedores, porque nenhum país está a fazer o esforço necessário para evitar uma alteração climática com consequências dramáticas. O objectivo do índice é aumentar a pressão política e social, nomeadamente nos países que têm esquecido até agora o seu trabalho interno no que respeita às alterações climáticas. O CCPI resulta de três componentes parciais que são somadas de modo a criar um ranking de desempenho em termos de alterações climáticas dos países avaliados. A primeira componente (tendência das emissões) analisa a evolução das emissões, nos últimos anos, de quatro sectores: energia eléctrica, transportes, residencial e indústria. A segunda componente refere-se às emissões (nível de emissões) relacionadas com a energia em de cada país, integrando variáveis como o produto interno bruto e as emissões per capita. A terceira e última componente (política de emissões) resulta duma avaliação da política climática do país a nível nacional e internacional. A componente de tendência pesa 50%, a componente nível de emissões 30% e as políticas climáticas são ponderadas em 20%. Os dados são retirados da Agência Internacional de Energia e das submissões efectuadas pelos países, sendo as políticas climáticas avaliadas por peritos internacionais na área das alterações climáticas, tendo a Quercus participado a este nível para Portugal.
Portugal desce assim dois lugares no ranking, da 12ª (em 2010) para a 14ª posição (em 2011), mas subiu para a classe dos países com classificação “bom” Portugal obteve em 2011, a 14ª posição no ranking final global (1º é o melhor), sendo que ficou em 19ª posição na componente tendência de emissões, 15ª na componente de nível de emissões e 15º na componente de políticas climáticas, tendo descido duas posições na análise global. Em 2010 Portugal ficou na 12ª posição e em 2009, ficou na 15ª. Porém, a classificação final de Portugal melhorou e passou do primeiro da classe “moderado” para o último da classe “bom”. Os países que se sobrepuseram a Portugal na seriação foram Malta e Suíça. Este ano, Portugal atinge a terceira melhor posição desde que o índice é publicado. Este lugar reflecte o nível de emissões per capita relativamente baixas e ter um conjunto de medidas consignadas (mesmo que algumas ainda não implementadas) para reduzir as emissões. Estes dados reflectem também a crise económica e financeira que em contribui para o país não estar longe do cumprimento do Protocolo de Quioto apenas com medidas internas. Na energia (uso da electricidade e renováveis), Portugal melhora a sua pontuação, mas é na evolução do transporte aéreo e no uso ineficiente da energia nos sectores residencial e industrial que piora. Países marcantes no índice Há um ano, as negociações em Copenhaga não resultaram num acordo internacional vinculativo para reduzir globalmente as emissões de CO2. É por agora bastante incerto, que as duas cimeiras no México (em Cancún) e na África do Sul no próximo ano, o consigam. Em geral, o índice mostra uma mudança na seriação por comparação com o ano passado, dado que anteriormente a pontuação conseguida pelas políticas nacionais era mais baixa do que a componente internacional; actualmente, acontece o posto: as políticas climáticas nacionais mostram maior dinâmica que as negociações internacionais.
O país melhor classificado no ranking foi o Brasil, seguido da Suécia, Noruega e Alemanha. O pior país foi a Arábia Saudita, tendo a Espanha ficado em 35º lugar, e os EUA em 54º lugar.
Brasil: continua, como no ano passado, a liderar o índice nas três categorias, melhorando ainda assim a sua pontuação. Os esforços diplomáticos de preparação para a Cimeira Rio+20 em 2012 e o decréscimo da desflorestação são aspectos políticos relevantes.
China: este país é marcado por contradições: por um lado é o maior emissor de CO2, com um intervalo a alargar-se em relação aos restantes países; por outro, está a reduzir a uma intensidade energética e a aumentar a fracção de renováveis (a China está a instalar cerca de metade da nova capacidade global de energia renovável)
Alemanha: tem um plano para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em 80 a 95% por comparação com o ano de 1990, mas os peritos consideram que os instrumentos para o conseguir ainda não estão definidos e passam por prolongar o uso da energia nuclear o que é considerado insustentável.
EUA: graças ao Presidente Obama, as políticas climáticas receberam um forte impulso, passando nomeadamente por projectos na área da eficiência energética e renováveis. Porém, a incapacidade de acordo no Congresso e as metas propostas pelo país não permitem uma evolução favorável.
Dinamarca: caiu 16 posições pela sua política climática internacional após a trágica condução dos trabalhos na última Cimeira em Copenhaga.

Habemus Eco Papa?

O Papa Bento XVI “estará disposto a utilizar um papa móvel eléctrico” se houver uma proposta nesse sentido, como sinal da sua preocupação com o Ambiente, anunciou na passada semana o Vaticano.“Se lhe propuserem um papa móvel eléctrico eficaz, seguro e de tamanho razoável, qual seria o interesse em manter um papa móvel a gasolina?”, questionou o cardeal Giovanni Lajolo, presidente da Pontifícia Comissão para o Estado da Cidade do Vaticano, durante a apresentação de um livro sobre os equipamentos solares instalados no Vaticano.
Bento XVI, considerado pela imprensa italiana como o “Papa Verde”, tem chamado a atenção para a necessidade de proteger a Criação, “obra de Deus”, os seres humanos e o seu Ambiente.
Milan Nitzschke, responsável pela comunicação da SolarWorld - empresa responsável pelos painéis solares da sala Paulo VI, onde o Sumo Pontífice realiza as suas audiências gerais – confirmou que a ideia já foi estudada com o Vaticano. “Mas os serviços encarregados da segurança de Bento XVI estão um pouco reticentes a modificar um equipamento que eles já conhecem”. Um dos maiores obstáculos para o Vaticano será a necessidade, em caso de problemas, de uma aceleração rápida. Mas Milan Nitzschke salientou que uma viatura eléctrica “tem uma aceleração superior a uma viatura a gasolina”.
Mauro Villarini, engenheiro dos serviços técnicos do Vaticano, informou que o Vaticano está a estudar instalar sistemas de energia renovável que utilizam biomassa em duas propriedades do Vaticano, em Castel Gandolfo, residência de Verão, e em Santa Maria di Galera, onde estão instalados os emissores da Rádio Vaticano.
Além dos painéis solares na sala Paulo VI, inaugurados em Novembro de 2008, o Vaticano tem ainda um sistema térmico instalado no Centro Industrial desde 2009. Ambos evitam, por ano, a emissão de 300 toneladas de dióxido de carbono (CO2), segundo o Vaticano.
(Fonte: Público)

Gasland - um documentário perturbador


O recente documentário GASLAND expõe o impacto ambiental da exploração de gás natural, nomeadamente o processo de fracturação hidráulica.
Em resumo: a fracturação hidráulica usa um cocktail com 590 químicos do pior que existe, centenas de milhares de poços de gás natural espalhados pelos Estados Unidos da América, pessoas muito doentes, poluição grave de poços, ribeiras, água da torneira contaminada - por vezes com gás, total negação da indústria, total inércia da EPA (Agência de Protecção Ambiental) ou do Estado.
Esta é um cenário assustador e verídico, que faz parecer a Erin Bronkovich um filme para crianças.
O documentário refere também que se está a avançar com a técnica de fracturação hidráulica na Europa. Antes que se importe mais um mau costume, será prudente reflectir se é isto que a Europa quer "ter em casa".

Exposição À Descoberta da História Botânica dos Açores: As Plantas e os Cientistas", na Universidade dos Açores

A humanização da paisagem açoriana resultou numa grande perda de biodiversidade. Como consequência, as espécies nativas que ainda persistem encontram-se restritas a locais específicos das ilhas e em populações tão reduzidas que estão em risco de extinção. E como a investigação botânica nos Açores continua a ser reduzida, há espécies da flora das ilhas que podem vir a desaparecer, sem que sejam devidamente classificadas e estudadas pelos cientistas. "Existe maior biodiversidade do que aquela que se pensava existir e que tem vindo a ser revelada por técnicas de genética molecular, ou seja, existe ainda um património nosso que urge proteger, antes que ele acabe por desaparecer e nós nem sequer o venhamos a conhecer convenientemente", lamenta Mónica Moura, docente no Departamento de Biologia da Universidade dos Açores e membro da equipa organizadora da exposição "À Descoberta da História Botânica dos Açores: As Plantas e os Cientistas" estará patente ao público até ao final de Abril do próximo ano, na na Aula Magna da Universidade dos Açores, em Ponta Delgada.
Além da voracidade da pastagem e da construção de habitações sobre a paisagem original das ilhas, também a introdução de espécies invasoras, que competem com as espécies nativas, veio dar um importante contributo para a destruição da flora nativa dos Açores. A exposição alerta, por isso, "para o quão belas as ilhas já foram e o quão menos belas são agora", afirma Ana Neto, também da equipa organizadora da exposição. No fundo, pretende-se explicar às pessoas o que é nativo das ilhas e o que foi introduzido pelo povoamento. Isto porque há um desconhecimento sobre a história botânica dos Açores que é importante contrariar e, desde logo, uma das melhores formas de o fazer é tentar levar às escolas e às crianças o gosto pela botânica. A exposição foi preparada para o público em geral, embora a sua componente didáctica seja muito forte, pois o grande objectivo durante os próximos meses é o de receber várias visitas escolares, havendo mesmo uma espécie de mini-sala de aula montada ao lado da exposição para se desenvolver um trabalho com as crianças de todos os ciclos de ensino. Até porque os Açores são ilhas verdes, que a generalidade das pessoas associa à pastagem, embora haja muita variedade de flora por descobrir. Apesar do laboratório natural que são os Açores, a biologia continua a oferecer muito poucas saídas profissionais aos seus licenciados, apesar do número de alunos no curso até ter aumentado nos últimos anos, após um ciclo decrescente. E a prova de que a biologia é uma mais-valia para a Universidade dos Açores é a grande procura que esse curso tem por parte dos estudantes estrangeiros que fazem o programa de intercâmbio Erasmus. Mas quando há espécies nativas que correm o risco de desaparecer sem que sejam convenientemente estudadas, qual é então o grande entrave à investigação na Universidade dos Açores? A resposta das duas docentes é pronta e resume-se a uma palavra: dinheiro. Ou falta dele, neste caso.
A mostra sobre a história botânica dos Açores estende-se por um conjunto de expositores temáticos que contracenam com um painel cronológico, revelando o trabalho das figuras mais ilustres da botânica que passaram pela Região. Os expositores estão divididos em três núcleos: um vocacionado para a história, para as colecções e para as instituições ligadas à botânica e os outros dois ligados à variedade das espécies e à ecologia insular. A mostra está cheia de pequenos "segredos" botânicos, entre eles muitas espécies raras, que vão sendo descobertas à medida que os visitantes percorrem os expositores.
(Fonte: Açoriano Oriental)

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Concurso Fotográfico "A Energia da Nossa Terra"

A Sociedade Geotérmica dos Açores, S.A. (SOGEO) comemora este ano os seus 20 anos de existência. No âmbito das comemorações, está a ser promovido um concurso de fotografia - "A Energia da Nossa Terra" - com a colaboração da Associação de Fotógrafos Amadores dos Açores Este concurso tem por objectivo divulgar os nossos Recursos Geotérmicos da Região Autónoma dos Açores.
Cada pessoa pode concorrer com 8 fotos, até ao dia 10 de Dezembro, através do e-mail: geral@afaacores.com
Serão seleccionadas 20 fotos, de onde será escolhida a foto vencedora. As 20 fotos seleccionadas serão apresentadas no jantar de aniversário da SOGEO. O fotógrafo vencedor receberá um prémio no valor de 500,00 €.
No âmbito deste concurso estão agendados dois Raids às instalações da SOGEO com o seguinte programa:
Sábado e Domingo dias 4 e 5 de Dezembro
09h00 - Encontro junto ao Teatro da Ribeira Grande
09h30 - Entrada na Central Geotérmica da Ribeira Grande
10h30 - Fim do Raid
Para mais informações consulte o regulamento do concurso.
Participe!

Um oceano de plástico


No Oceano Índico, a 1600km entre a Califórnia e o Havai, encontra-se o maior depósito de lixo oceânico do planeta terra. Com uma área incerta (estima-se que semelhante à área dos Estados Unidos da América), este é um dos cinco depósitos oceânicos de lixo existentes no planeta.
O Grande Depósito de Lixo do Pacífico foi descoberto em 1997 pelo investigador Charles Moore
e é uma espécie de "redemoinho" formado por correntes marítimas daquela região, onde o oceano, a vida marinha e o plástico se encontram. Este lixo segue depois à deriva pelo oceano, contaminando mares, praias e espécies por todo o mundo.
Análises realizadas nesta região do Pacífico revelaram que 27% da totalidade do lixo depositado corresponde a sacos de plástico. O estudo também revelou 1400 pedaços de plástico encontrados no interior dos estômagos de peixes, numa amostra de 670 peixes analisados.
Outro atentado ambiental de grandes proporções está a ser perpetrado ao largo das Ilhas Maldivas, onde está a ser "criada" uma nova ilha constituída por lixo. Com uma área de 50000km2, a ilha artificial de Thilafushi recebe diariamente centenas de toneladas de lixo proveniente das ilhas Maldivas, o que se traduz num crescimento de um metro quadrado por dia. O primeiro depósito efectuado em Thilafushi ocorreu em 1992, mas até essa altura aquele era um paradisíaco recife de coral.
Sobre este assunto, a não perder o excelente artigo de opinião do Nelson Peralta, onde faz as questões que se impõem: quando, como e quem irá resolver esta questão, terminando com a referência à Expedição Plastiki que navega pela sopa amarga.

Oceanário de Istambul vai receber 1500 peixes do mar dos Açores

Um carregamento de cerca de 1500 peixes dos Açores, de 50 espécies diferentes, está a caminho de um oceanário em Istambul, na Turquia, naquele que é o primeiro carregamento de peixes vivos açorianos com destino ao estrangeiro. Os peixes, acomodados em 19 tanques devidamente preparados para o efeito, partiram na passada sexta-feira da Horta num navio com destino a Lisboa, onde se encontram outros 21 tanques com peixes capturados em Olhão e Peniche que também vão seguir para Istambul.“Queremos mostrar que se pode explorar o mar dos Açores de forma diferente, sem pôr em causa os stocks, capturando pequenas quantidades de pescado, mesmo daquelas (espécies) que não têm interesse comercial”, afirmou o biólogo Telmo Morato, da empresa 'Flying Sharks', responsável por esta exportação de peixes do mar dos Açores.Telmo Morato frisou, em declarações à Lusa, que o projeto que a empresa está a desenvolver não pretende apenas comercializar peixes vivos para oceanários em todo o mundo, mas também “contribuir para a sensibilização ambiental” e para a divulgação do património subaquático.Neste primeiro carregamento de peixes açorianos com destino ao estrangeiro seguem cerca de 50 espécies de animais marinhos, incluindo raias, peixe-cão, moreias e ouriços, mas também espécies comerciais comuns como o goraz ou a abrótea, que habitualmente não se encontram em oceanários.Telmo Morato manifestou satisfação com a cooperação que tem sido possível entre pescadores e investigadores, o que permite capturar um maior número de peixes vivos para este projeto.“O nosso sonho, a longo prazo, é retirar um pescador da frota de pesca comercial e colocá-lo a capturar peixes vivos para nós”, admitiu o biólogo e empresário, para quem a adesão dos profissionais da pesca a esta iniciativa “excedeu as expetativas”.Para concretizar este projeto de exportação de peixes, a 'Flying Sharks' assinou um protocolo com o Governo Regional dos Açores, que submeteu a iniciativa à fiscalização de um observador externo para confirmar as condições em que era realizado, contando ainda com a colaboração da Universidade dos Açores, Administração do Portos do Triângulo e Ocidente e Capitania do Porto da Horta. Os peixes provenientes dos Açores, juntamente com os restantes recolhidos em Olhão e Peniche, seguem de Lisboa para Istambul num avião fretado para o efeito.Segundo Telmo Morato, o transporte dos peixes desde os Açores até à Turquia, por via aérea e marítima, tem um custo previsto de cerca de 200 mil euros, que não inclui as despesas da captura, nem os equipamentos utilizados na operação, como tanques, bombas, filtros e baterias, entre outros.Esta é a primeira vez que a 'Flying Sharks' exporta peixes vivos dos Açores, mas a empresa, criada em 2006, já tem uma longa experiência de transporte de animais marinhos para países como a Alemanha, EUA e Japão, num total de cerca de 3500 animais.
(Fonte: Lusa)