domingo, 14 de novembro de 2010

As árvores e o testemunho que fazem acerca da Eternidade

"Even if I knew that tomorrow the world would go to pieces, I would still plant my apple tree".
(Martinho Lutero)

sábado, 13 de novembro de 2010

Das ideias luminosas

O Pai Natal luminoso da baixa de Ponta Delgada deu-me ontem um presente, sob a forma de incoerência.
O motivo de todo este precoce brilho nocturno, segundo o que parece, é a tentativa de trazer mais pessoas para a baixa da cidade e apelar ao consumo no comércio tradicional.
Concordo com a importância da revitalização da economia, mas parece-me que luzinhas acesas desde o dia 11 de Novembro até pelo menos ao dia de Reis (no mês de Janeiro), é uma bela e cara manobra de diversão que não é proporcional ao valor da receita que eventualmente poderá gerar, além de que tem tudo menos de sustentável, numa cidade que se orgulha de ser a primeira em Portugal com gestão ambiental certificada da União Europeia.
O que me choca no meio disto tudo não é só que um país, à beira do colapso financeiro e enterrado até à cabeça na ruptura moral, pague uma exorbitância pelas iluminações de Natal; choca-me também a forma como se desvirtuam as tradições. E se é certo que nem todas as antigas tradições são dignas de respeito (como é o caso da lapidação e dos touros de morte), parece-me que iluminar a cidade no dia de São Martinho tem pouco de magusto, qual Carnaval fora de época.
As pessoas não compensam as suas frustrações ao olhar para um Pai Natal luminoso. Era bom que assim fosse. Não se pode pedir a um país e a uma região medidas de austeridade e a seguir desperdiçar dinheiros públicos desta forma.
As pessoas já não acreditam no Pai Natal, por mais cintilante que seja, mas ainda podem acreditar na moralidade do Estado, se este estiver à altura dessa tarefa.
Por este andar, no próximo ano a abertura da iluminação do Natal irá coincidir com o final das Noites de Verão. Parrhesia!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

XX Jornadas de Ambiente da Quercus


No âmbito do Programa de Comemorações dos 25 anos da Quercus, decorrem hoje as XX Jornadas do Ambiente, este ano dedicadas ao tema do “Valorização dos Serviços dos Ecossistemas”, um dos grandes temas emergentes no panorama da política ambiental internacional. Para promover o debate sobre o tema, a Quercus ACN convidou especialistas de renome nesta área para apresentarem estudos de caso recentemente concluídos. É hoje um ponto assente que a natureza com a diversidade dos seus ecossistemas nos fornece inúmeros serviços fundamentais para a nossa qualidade de vida e sobrevivência enquanto espécie. Entre estes serviços podemos sublinhar a título de exemplo, a regulação climática, o fornecimento de água doce ou a manutenção da produtividade dos solos. Tratando-se de serviços ainda não integrados no sistema económico, ou seja, aos quais não é atribuído um valor monetário, sendo usados como bens públicos de livre acesso, são muitos os desequilíbrios que se registam na sua utilização. Após o insucesso da Conferência de Copenhaga, surge um movimento crescente, alastrando-se aos mais variados níveis e áreas do conhecimento, que defende que o caminho da sustentabilidade passa necessariamente pela remuneração de funções estruturantes que hoje não têm valor de mercado e que são usualmente designadas por “serviços ambientais”, e o acerto das contas entre a externalidades positivas e negativas que afectam os bens comuns. Neste sentido, e porque a construção de um processo de valoração dos serviços ambientais, significa a alteração de paradigma de uma sociedade predadora de recursos ambientais, para uma outra em que paralelamente às actividades económicas tradicionais, existe uma actividade económica de reposição e manutenção de recursos naturais, a Quercus vai dedicar as suas XX Jornadas de Ambiente ao tema da “Valorização dos Serviços dos Ecossistemas”, pretendendo dar um contributo e na ampla discussão que este tema está a ter a nível internacional. Para a Quercus a valorização de serviços dos ecossistemas constitui uma mudança de base, sem a qual continuaremos a investir em bens e serviços cuja utilidade é relativa, e que nunca é comparável com a utilidade vital dos referidos serviços. A consequência da inexistência de um sistema de valoração é a ausência de um verdadeiro peso da questão ambiental a ter em conta nas decisões políticas.

As XX Jornadas de Ambiente da Quercus terão lugar no Dom Gonçalo – Hotel & SPA em Fátima. As inscrições são gratuitas, mas obrigatórias.


A Direcção Nacional da Quercus -Associação Nacional de Conservação da Natureza.

Lisboa, 10 de Novembro de 2010

Somos todos Natureza

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Fornos solares ao serviço do ambiente e do desenvolvimento social

O forno solar é um equipamento que permite a conversão de energia térmica da radiação solar para aquecer alimentos ou para produzir água destilada.
O primeiro forno solar foi criado pelo naturalista francês Horace de Saussure, em 1767.

Os fornos solares têm sido usados na Índia, China, Afeganistão e sobretudo em países Africanos, zonas onde existe escassez de combustíveis sólidos (lenha e carvão), pelo que a utilização destes equipamentos é uma solução simples e económica de confeccionar alimentos e esterilizar água. Uma outra vantagem destes fornos é que evitam a desflorestação. Este verdadeiro benefício ambiental permite que cada forno solar contribua para a redução de cerca de uma tonelada de Co2, por ano.
Em regiões pobres, especialmente em África, onde o sol é constante e a quase totalidade da energia consumida provém da lenha, os fornos solares estão a provocar uma verdadeira revolução social ao reduzir o trabalho de 15 horas semanais de apanha de lenha das mulheres e das crianças, contribuindo deste modo para um aumento da sua qualidade de vida. Além disso, nesses países, as mulheres e crianças para cozinhar recorrem habitualmente a fogueiras efectuadas em espaços fechados, o que implica que sofram queimaduras e de graves problemas respiratórios causados pela poluição do ar.
Nestes países, em que a madeira é um bem escasso, muitas vezes não chega para cozinhar alimentos e para ferver a água, o que significa que a população está condenada a beber água contaminada.
Estima-se que em cada ano ocorrem 1,5 mil milhões de casos de diarreia, dos quais resultam cerca de 2 milhões de mortes em crianças. Mais uma vez, os fornos solares têm um importante papel na promoção da saúde, ao permitirem um método prático de aquecer a água até ao ponto de esterilização, destruindo assim os agentes patogénicos mais comuns e transformando água contaminada em água potável.
O modelo mais simples destes fornos - tipo painel - é feito com um pedaço de papelão, revestido com algum papel laminado. E a grande vantagem é que cada pessoa pode construir, com poucos recursos, o seu próprio forno solar.
Actualmente existem diversas associações a financiar o fabrico e a distribuição de fornos solares em países subdesenvolvidos ou em vias de desenvolvimento, mas a organização pioneira foi a Solar Cookers International (SCI), uma ONG que goza de estatuto consultivo junto do Conselho Economico e Social da ONU (ECOSOC). Estima-se que desde o inicio da sua actividade, a SCI, já possibilitou, a mais de 30 000 familias africanas, a utilização de fornos solares, através de uma extensa rede de informação, formação e educação.
Em 2020 esta ONG foi vencedora do Ashden Award, pelo seu trabalho efectuado com os fornos solares no Quénia e, em 2006, foi distinguida com o World Renewable Energy Award.
Para mais informações acerca deste projecto, consulte: 1, 2, 3.

"The greatest challenge is to lead the world into a new era of peace and humanism, to create more inclusive, just, and equitable societies through sustainable economic and social development, based on science, innovation and new technologies that will serve mankind and will preserve the environment." (Irina Bokova, Directora Geral da UNESCO)

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Freguesia de Ginetes cria Pomar Comunitário onde todos são convidados a cultivar

A freguesia dos Ginetes está criar algo único em São Miguel: trata-se de um Pomar Comunitário com o qual pretende-se que seja cultivado e cuidado por todos em geral onde os frutos são para ser colhidos pelas gerações vindouras. O Diário dos Açores foi ao encontro do presidente da Junta de Freguesia de Ginetes, João Paulo Medeiros, que aproveitou para dar a conhecer este projecto inovador que agora está a dar os primeiros passos na freguesia.
A ideia surgiu no decorrer de um processo de revitalização dos jardins da freguesia onde foi detectado que os jardins são praticamente todos idênticos em termos de cultivo, nomeadamente, com plantas e flores sem grande utilidade pública. Num destes espaços, no Jardim do Emigrante, sito à Rua Alqueive surgiu a ideia de implementar um Pomar Comunitário atendendo a actual conjuntura. Pretende-se criar um certo dinamismo, no sentido de iniciar um pomar onde principalmente as crianças das escolas primárias possam participar em iniciativas comunitárias em ir ao jardim apanhar fruta. Presentemente já decorrem a selecção das plantas para cultivo, nomeadamente, laranjas, mandarinas, uvas, goiaba e castanha fazendo com que se retome a tradição de cultivo de fruta na freguesia.
O Jardim do Emigrante é um amplo espaço que vai ganhar nova vida segundo João Paulo Medeiros tudo vai começar da estaca zero estando desde já assegurado que as plantações das árvores de fruto irão decorrer desde do plantio de forma a que seja possível acompanhar a evolução e o desenvolvimento das árvores. Um dos objectivos da Junta de Freguesia de Ginetes passa por envolver as escolas no sentido de levar ao Pomar Comunitário as crianças com o intuito de as mesmas colaborarem no plantio das árvores de forma a que de futuro chamem a si a responsabilidade de proteger o pomar público.
Na primeira fase do Pomar Comunitário João Paulo assume que o trabalho será assegurado pelos funcionários da Junta de Freguesia, trabalho este que será intercalado com a ajuda dos mais novos oriundos das escolas da freguesia. Dois anos é quanto João Paulo Medeiros estima que se possa fazer a primeira colheita dos frutos que agora vão ser plantados.
A prática de uma agricultura saudável sem a presença de químicos é um dos propósitos de João Paulo Medeiros para o Pomar Comunitário da freguesia, inclusive, assume que outros dos propósitos passa por envolver a comunidade bem como os agricultores locais na execução das tarefas do Pomar Comunitário. O presidente da Junta de Freguesia de Ginetes faz votos que o espaço do pomar público seja respeitado pelas pessoas e que não sejam praticados actos de vandalismo uma vez que se trata de um bem comum para a comunidade.
O intercâmbio de gerações entre avôs e netos no processo de aprendizagem dos costumes do plantio é outro dos propósitos de João Paulo Medeiros que explica que é pretensão através do Centro de Convívio dos Ginetes estabelecer o contacto com os agricultores da velha guarda com o objectivo que expliquem às crianças como se cuida de uma árvore, como se poda ou até mesmo como se planta e aduba. É objectivo a existência de aulas práticas entre os idosos e os alunos das escolas com o objectivo que exista uma constante aprendizagem.
O Pomar Comunitário será um regresso ao passado com práticas saudáveis onde as maquinas e os adubos químicos darão lugar ao trabalho humano e aos adubos naturais tornando-se saudável para todos em geral contribuindo também de certa forma como atractivo turístico para a freguesia.
(Fonte: Diário dos Açores)

Açores destacados no site "Planeta Protegido" da ONU

Depois das Maravilhas, o reconhecimento da ONU: os Açores, como reserva das mais belas regiões naturais, estão agora registados no site da Organização das Nações Unidas.
À distância de um click, qualquer internauta pode aceder aos 150 mil locais escolhidos pela entidade. Uma boa parte deles está situado no arquipélago. Em www.protectedplanet.net pode fazer-se uma viagem, desde os vulcões da Austrália, passando pelo Grand Canyon nos Estados Unidos, e vir terminar à Fajã dos Cubres, em São Jorge. O convite é da ONU que construiu um site interactivo com informação sobre mais de 150 mil áreas protegidas em todo o mundo.Em Portugal ao todo são 216, quase metade são locais dos Açores. 101 locais estão assinalados como áreas a proteger. A viagem nas ilhas pode ser demorada, há muito para ver. Desde os mais conhecidos, como a Lagoa das Furnas em São MIguel, ou a montanha do Pico, ou ainda o Algar do Carvão, na Terceira.E existem outros de que poucos ouviram falar, como a Ponta da Restinga na Graciosa, ou a Ponta do Escalvado em São Miguel. Através de imagens de satélite, os utilizadores podem selecionar uma determinada área, aproximar-se mais ou obter informações sobre as espécies ameaçadas ou até mesmo sobre as plantas nativas.Qualquer pessoa pode ainda descarregar fotografias das suas próprias viagens, escrever diários com as suas experiencias e recomendar outras áreas. O objectivo deste projecto da ONU é ajudar a proteger estas zonas, tornando-as mais conhecidas e divulgadas.
(Fonte: Antena 1 Açores)

domingo, 7 de novembro de 2010

Ilha das Flores terá produção de energia de origem renovável superior a 80% a partir de 2014

No passado dia 27 de Setembro foi atribuída à EEG (do grupo EDA) a concessão para a utilização dos recursos hídricos da ribeira grande na ilha das Flores, para a produção de energia hidroeléctrica. Esta concessão será válida por 75 anos e permitirá à empresa EEG (do grupo EDA) avançar com a concretização do projecto hidroeléctrico previsto para aquela bacia hidrográfica.Neste aproveitamento serão utilizados os caudais das ribeiras do ferreiro, da ribeira grande e de dois afluentes da margem esquerda captados próximo da cota 170 (isto é, cerca de 170 metros acima do nível médio da água do mar) junto à estrada de acesso à Fajã Grande. Isso permitirá captar a precipitação de uma área total da bacia hidrográfica de 14,3 km2, um valor de área equivalente ao actualmente captado pelo actual aproveitamento de Além Fazenda. O caudal médio captado é de 800 litros por segundo, alimentando a Central hidroeléctrica situada na Fajãzinha, a uma cota 165 metros inferior na margem esquerda da ribeira junto à foz. A Central será dotada de dois grupos de geradores equipados com turbinas tipo Pelton acopladas a alternadores de 550 kW de potência unitária. A potência anual estimada para esta Central rondará, em ano médio, os 5,6 GWh. Em termos comparativos podemos dizer que (no ano de 2009) o consumo da ilha das Flores foi de 11,9 GWh, ou seja, o novo aproveitamento poderia ter assegurado 47% das necessidades verificadas.Com a produção hídrica proveniente deste novo aproveitamento, bem como com a energia que se espera ser produzida na actual Central hídrica de Além Fazenda (que será alvo de uma intervenção de remodelação e automatização), e mesmo considerando que no Inverno haverá energia hídrica "em excesso" e que, pelo contrário, no Verão haverá "falta" de energia hídrica, espera-se que a ilha das Flores atinja uma produção de origem renovável superior a 80% a partir de 2014, ano para o qual se prevê que as obras fiquem operacionais.Todos os elementos da instalação, incluindo os grupos geradores, serão integrados num sistema de automatização que permitirá o funcionamento deste aproveitamento em regime automático, abandonado e telecomandado a partir da nova Central termoeléctrica das Lajes.

Ponta Delgada é a primeira cidade portuguesa com gestão ambiental certificada da União Europeia

A presidente da Câmara de Ponta Delgada, Berta Cabral, afirmou na passada quarta-feira ser um «motivo de orgulho» que este município dos Açores seja o primeiro em Portugal com gestão ambiental certificada da União Europeia, pelo Eco-Management Audit Scheme (EMAS). «É uma honra muito grande, que culmina um trabalho de melhorias contínuas iniciado há três anos», afirmou a autarca em declarações aos jornalistas depois de ter hasteado a bandeira do Registo EMAS na Praça do Município. O EMAS é um instrumento voluntário instituído pela União Europeia que cria uma forma normalizada para as organizações avaliarem e melhorarem os seus desempenhos ambientais, determinando que a conceção de um sistema de gestão ambiental seja efectuada em conformidade com o definido com a norma EN ISO 14001. Para Berta Cabral, esta certificação ambiental dos serviços municipais representa um «compromisso» com o desenvolvimento sustentável. «O município de Ponta Delgada vai à frente», frisou, acrescentando que a autarquia dispõe de um departamento ambiental »muito competente a activo».
(Fonte: Lusa)

Quercus - 25 anos a defender o ambiente

Esta é a descrição do programa Biosfera: “De que são feitos os 25 anos da Quercus? A associação celebrou um quarto de século no passado 31 de Outubro e o Biosfera esteve lá.
Veja as vitórias, as derrotas e os projectos para o futuro do movimento ambiental mais conhecido no país.
Hoje, às 12 horas, RTP2 ou nos próximos dias aqui.