segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Seminário "Gestão da Biodiversidade dos Açores"

Está a decorerer hoje (das 09:30-13:00 e das 14:00-19:45) no Anfiteatro C da Universidade dos Açores um Seminário "Gestão da Biodiversidade dos Açores".
Associando-se às comemorações do Ano Internacional da Biodiversidade, o Conselho Regional dos Açores da Ordem dos Biólogos decidiu incluir no seu programa de actividades para o ano de 2010, a organização de um Seminário abarcando temas abrangentes relacionados com a Biodiversidade das ilhas oceânicas que formam o Arquipélago dos Açores.
Objectivo e enquadramento geral: proporcionar aos participantes a possibilidade de conhecerem o presente e o futuro da Gestão da Biodiversidade dos Açores, conhecendo através dos responsáveis pela sua idealização e implementação, o que serão os “Parques de Ilha”, o “Parque Marinho dos Açores” e o “Geoparque Açores”.
A entrada é livre. Poderá descaregar o programa completo do Seminário aqui.

Tartaruga mais comum nos mares dos Açores em perigo

Vários cientistas e especialistas em tartarugas marinhas reuniram-se na Horta para estudar a problemática da tartaruga boba, uma espécie em perigo que é vista com regularidade nos Açores. O encontro, que contou com a presença de representantes de departamentos governamentais das Bahamas, Canadá, Cuba, Espanha, Estados Unidos, Itália, México, Marrocos e Portugal, teve como objectivo a partilha de informação e a disponibilização de soluções para os problemas e ameaças que afectam a população nidificante da tartaruga boba. "Esta é uma espécie que se reproduz nas praias da Flórida, do México e das Bahamas. Foi descoberto há alguns anos que faltava uma gama demográfica de indivíduos na população existente no Golfo do México e na Flórida. Depois, descobriu-se que estes animais recorriam à região marinha dos Açores e descobriu-se que as tartarugas bobas têm uma fase pelágica, podendo durar até aos 14 anos de idade a sua vinda para esta zona do Atlântico, onde estão a crescer e a alimentar-se antes de regressarem às suas praias de reprodução", explicou ao Açoriano Oriental o director do Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores. Ricardo Santos revelou que a tartaruga boba é uma espécie em perigo, pois apresentou, durante a última década, um declínio do número de ninhos na ordem dos 40% no Oceano Atlântico. Segundo o director do DOP, dada a complexidade do ciclo vital da tartaruga boba, é necessário ter medidas de mitigação para a conservação das populações desta espécie, não só nas zonas onde se reproduzem e vivem na sua fase adulta, mas também nas zonas onde se alimentam. Ricardo Santos sublinhou ainda que é fundamental ter medidas de mitigação relacionadas com algumas pescarias, uma vez que a elevada mortalidade provocada por capturas acidentais está a comprometer os esforços de recuperação da tartaruga boba. "Sabemos que existem alguns impactos como a poluição e a existência de plásticos nos mares. Além disso, há o impacto através das pescarias de long line de superfície que pescam acessoriamente a tartaruga", disse o director do DOP. Segundo referiu, existem alterações específicas que podem ser implementadas nas práticas piscatórias, de modo a reduzir a mortalidade da tartaruga boba, sem pôr em causa a subsistência dos pescadores. Assim, estas mudanças incluem modificações nos aparelhos de pesca, mais precisamente no isco, na altura do dia em que os aparelhos são recolhidos e no manuseamento e libertação das tartarugas capturadas. Durante a reunião científica internacional foi tomada uma série de decisões no que respeita à protecção da tartaruga boba. Chegou-se à conclusão que é preciso implementar um programa de observação para avaliar a extensão do problema da captura acidental, bem como avaliar o sucesso da utilização das práticas de pesca melhoradas. É também essencial uma boa gestão dos montes submarinos e bancos, assim como maiores zonas tampão que contribuirão para a conservação das tartarugas bobas oceânicas e do seu habitat. É igualmente uma boa medida a gestão dos lixos para que não acabem no mar. "A tartaruga boba é outro bom exemplo de uma ligação histórica e natural entre os EUA e os Açores. Este encontro foi muito importante para proteger a população desta espécie", sublinhou, por seu turno, Gavin Sundwall, cônsul dos EUA na Região. A complexa história da tartaruga boba e o seu comportamento migratório fazem a ligação entre as praias do Atlântico Noroeste, onde ocorre a nidificação, e os locais de alimentação ao longo do Atlântico Este e Mar Mediterrâneo. As águas circundantes aos Açores são um habitat especialmente importante para a alimentação e desenvolvimento desta população de tartaruga boba. Esta área é abundante em montes submarinos e outras características oceanográficas, vitais para esta espécie.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Hoje é o Dia Internacional para a Protecção da Camada de Ozono

No Dia Internacional para a Protecção da Camada de Ozono (16 de Setembro), a QUERCUS alerta para o facto de Portugal continuar a não assegurar a recuperação da maior parte dos CFC’s (clorofluorcarbonetos) contidos nos largos milhares de frigoríficos, arcas congeladoras e aparelhos de ar condicionado que todos os anos se tornam resíduos.
Em 2009 foram tratadas pelas duas sociedades gestoras para os REEE – Resíduos de Equipamento Eléctrico e Electrónico, a Amb3e e a ERP Portugal, 6866 toneladas de resíduos de equipamentos de arrefecimento e refrigeração, o que corresponde a um valor estimado de 53,6 toneladas de CFC´s recuperados e enviados para tratamento. E no 1.º semestre de 2010 já foram tratadas cerca de 4 mil toneladas de resíduos de equipamentos de arrefecimento e refrigeração, correspondendo a uma estimativa de 30 toneladas de CFC. Estes valores revelam um esforço das sociedades gestoras, uma vez que se tem verificado um contínuo aumento ao longo dos anos.  
Contudo, pode estimar-se que em 2009, tendo em conta os REEE que não obtiveram o tratamento devido, estes resíduos contribuíram em mais de 100 toneladas de CFC´s para a destruição da Camada de Ozono.
Portugal cumpriu as metas dos REEE, mas para proteger a Camada de Ozono isso não chega!
Em 2009 foram recolhidas 45179 toneladas de REEE do total de 128 mil toneladas produzidas nesse ano. Ficou assim garantida e suplantada a meta dos 4kg por habitante prevista na alínea 10 do Artigo 9º do DL 230/2004. Contudo, para efeitos de protecção da Camada de Ozono isso é insuficiente, porque continuam a ficar por ser tratada correctamente uma grande quantidade de REEE de arrefecimento e refrigeração que contêm CFC´s.. 

É urgente que se combata a gestão ilegal deste tipo de REEE e que o Ministério do Ambiente e as sociedades gestoras orientem as suas campanhas de sensibilização com o objectivo de aumentarem radicalmente as recolhas de REEE com CFC´s. 

Também é importante que se faça um cruzamento de dados entre as sociedades gestoras e os recicladores. Os dados referentes aos CFC apresentados pelas sociedades gestoras são calculados em função do peso médio dos equipamentos e da quantidade média dos CFC´s normalmente presente, contudo isso não significa necessariamente que os valores apresentados na estimativa correspondem à realidade. É sabido que há equipamentos a chegarem aos recicladores em mau estado ou já violados, significando isto que os CFC´s já se libertaram para a atmosfera.

O que é a Camada de Ozono? Em que estado está?

O ozono (O3) que existe na atmosfera localiza-se essencialmente na estratosfera, entre 10 a 50 km acima da superfície terrestre, observando-se as maiores concentrações a altitudes aproximadamente entre 15 e 35 km, constituindo o que se convencionou chamar a "Camada de Ozono". A protecção da Camada de Ozono é fundamental para assegurar a vida na Terra, uma vez que o ozono estratosférico tem a capacidade de absorver grande parte da radiação ultravioleta B (UV-B), radiação solar que pode provocar efeitos nocivos (ou até mesmo letais) nos seres vivos, ameaçando assim a saúde humana e o ambiente. A libertação de substâncias responsáveis pela destruição da camada de ozono, como é o caso dos CFC’s, provocou ao longo de décadas a diminuição da espessura desta importante camada protectora.

Os dados mais recentes mostram que a 11 de Setembro, o buraco no pólo Sul era de 17 milhões de quilómetros quadrados. Há indícios de que o valor recorde (entre 7 de Setembro e 13 de Outubro) de 27 milhões de quilómetros quadrados verificado em 2006 não seja atingido, mas em 2009 atingiu-se 22 milhões e em 2010 prevê-se continuar próximo desse valor, o que é ainda muito elevado.

Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

A “Maravilha” das Sete Cidades, por João Paim Vieira

Felizmente que alguém teve o bom senso de não permitir o espectáculo das Maravilhas nas Sete Cidades. É que há muitos anos que só de muito longe ainda parecem uma maravilha. Se tivessem algum pudor as Sete Cidades nem estariam entre as Maravilhas dos Açores a concurso. No início da década de oitenta mergulhei algumas vezes na Lagoa das Sete Cidades entre outras coisas para filmar (estava na RTP) a parte submarina de um videoclip do Luís Bettencourt em que ele mergulhava na Lagoa e reaparecia no mar numa recriação inventiva da lenda antiga da Lagoa . Filmava-se em 16 mm e restou uma parte da bobine pelo que filmei os magníficos lúcios e muitos outros peixes , a água transparente e o equilíbrio perfeito daquele ecossistema. Ainda poderá existir na RTP esta janela para uma lagoa perdida. Perdida já estava sem dúvida quando lá mergulhei passados alguns anos. Os poucos lúcios que vi tinham os corpos torcidos e cheios de feridas e as plantas verdes tinham dado lugar a umas coisas castanhas esquisitas, a água estava barrenta e a visibilidade nem um metro atingia contra mais de dez antigamente. E assim foi continuando e apesar de muitos avisos os Governos foram mudando e nada fazendo e a degradação foi-se estendendo a muitas outras lagoas em S. Miguel e em outras ilhas. Os símbolos das Sete Cidades hoje não são já o azul e verde (que estranhamente aparecem nos filmes de promoção das maravilhas será que usaram filmes de há vinte anos?), mas sim os esqueletos de lúcios nas margens, a espuma suja e as algas amarelas é o pântano em que boa parte das Lagoas se tornou. E contudo a Autonomia recebeu as Lagoas e os Açores em geral em muito boas condições ambientais. O que destruiu as Lagoas foram os adubos e as rações subsidiadas e a falta de controle na sua utilização, como agora já é reconhecido, foi o acumular 3 ou 4 vezes a carga suportável de nutrientes. E note-se que não foi a Autonomia que salvou a única Lagoa que ainda vai parecendo os antigos Açores, a do Fogo. Foi a estrutura fundiária foram os Velhos Açores como diria o Alberto João Jardim. Embora seja verdade que a Região neste caso tem mantido o que circunstâncias particulares favoreceram que escapasse à destruição . Agora anuncia-se um grande projecto de “requalificação “ das margens da Lagoa das Sete Cidades, criação de uma “praia fluvial” e mais um centro de monitorização e/ou interpretação que certamente fura todas as regras de proibição de construção nas margens, como já aconteceu com o das Furnas. Mas então não é proibido tomar banho na Lagoa? A água não é perigosa? Não nos aconselharam a não comer os lagostins? Não é que alguma vez eu os comesse, nem oferecidos, aliás nas Sete Cidades nem encontrei nenhum vivo. O único que vi este ano vivo foi na semana passad , imagine-se, no Parque de Estacionamento das Caldeiras das Furnas, calculo que não tenha ido lá parar pelo seu pé pelo que faria parte de algum balde deles à venda e resolveu escapar. Lá o devolvi à água e espero que o bichinho tenha sobrevivido à sua aventura. Pelo menos não será comido pelas carpas que antigamente havia na Lagoa das Furnas e se pescavam e até se comiam porque numa das tentativas desastradas de “salvar” a Lagoa mataram trinta toneladas delas. Claro que agora que (penso) todos concordamos que as Lagoas foram levadas pela Autonomia por acções e principalmente inacções a um estado lamentável o que interessa é caminhar para a sua recuperação. Não será multiplicando as obras de construção civil nas margens, nem com Centros de Interpretação ou Monitorização que as Lagoas irão recuperar nem serei eu, um mero curioso, a ter a veleidade de indicar caminhos ou soluções, mas talvez estudando o passado consigam soluções para o futuro se tiverem coragem de as implementar numa escala muito diferente da actual. E principalmente deixemos de participar em algumas coisas que são o equivalente a varrer o lixo para debaixo do tapete em vez de o tratar convenientemente.

As 7 Maravilhas - Ilhas dos Açores (Madredeus)

É esta a razão pela qual trabalhamos e existimos enquanto Associação.
Obrigada Fred pela realização deste vídeo. A música já merecia um cenário destes.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Comissão Europeia recolhe opiniões sobre futuras opções para política de biodiversidade da UE

A Comissão Europeia lançou uma consulta via Internet para recolher as opiniões de um amplo conjunto de partes interessadas sobre as opções políticas para a Estratégia da UE em matéria de Biodiversidade após 2010. Os cidadãos, as partes interessadas, as administrações públicas, as empresas e a sociedade civil são convidadas a dar a sua opinião sobre uma série de questões, nomeadamente as lacunas da actual política de biodiversidade, a nova abordagem proposta pela Comissão, a agricultura e a biodiversidade, os aspectos económicos da biodiversidade e a governação nesta matéria, dentro e fora da UE. Os resultados serão integrados na nova estratégia que se encontra actualmente em fase de preparação. A consulta terminará a 22 de Outubro de 2010.
O Comissário Europeu para o Ambiente, Janez Potočnik, declarou: «Todos os europeus estão de acordo quanto à necessidade de intensificar esforços para combater a perda de biodiversidade. Apelo a todos aqueles que se preocupam com esta questão e que contribuam e ajudem a moldar a nossa política neste domínio vital.»
Mais informações podem ser consultadas aqui. Veja também o questionário.
Participe nos esforços na luta contra a perda de biodiversidade.

Work in process


Preparativos para a cerimónia de declaração das 7 Maravilhas de Portugal que irá decorrer no próximo sábado, dia 11, nas Portas do Mar.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Retrato talvez saudoso da menina insular

Tinha o tamanho da praia
o corpo era de areia.
Ele próprio era o início
do mar que o continuava.
Destino de água salgada
principiado na veia.

E quando as mãos se estenderam
a todo o seu comprimento
e quando os olhos desceram
a toda a sua fundura
teve o sinal que anuncia
o sonho da criatura.

Largou o sonho nos barcos
que dos seus dedos partiam
que dos seus dedos paisagens
países antecediam.

E quando o seu corpo se ergueu
Voltado para o desengano
só ficou tranquilidade
na linha daquele além.
Guardada na claridade
do olhar que a retém.

Natália Correia (in Poesia Completa, 1999)

Rumo a uma sociedade eficiente em termos de recursos, por Durão Barroso

"Um pilar fundamental da estratégia Europa 2020 reside na necessidade de gerar mais crescimento utilizando menos recursos. A sociedade europeia necessita de uma visão que promova a reorientação a longo prazo da nossa economia para um crescimento verdadeiramente sustentável. Isto significa integrar as diferentes vertentes da política em matéria de alterações climáticas, energia, transportes e ambiente numa abordagem coerente que garanta a eficiência em termos de recursos e um futuro hipocarbónico. Estes elementos devem ser integrados nos preparativos da Cimeira da Terra Rio+20 a realizar em 2012. É igualmente evidente que a agricultura desempenhará um papel fundamental na resolução de alguns dos maiores desafios, como a segurança alimentar a nível mundial, a perda de biodiversidade e a gestão sustentável dos nossos recursos naturais. Por conseguinte, a Comissão proporá uma reforma substancial da Política Agrícola Comum, a fim de a modernizar e para que possa dar resposta às expectativas da sociedade europeia que pretende um sector agrícola sustentável, competitivo e amigo do ambiente. A UE continuará a liderar a luta contra as alterações climáticas, tanto a nível das políticas internas como externas. Continuaremos a preparar os alicerces para o mais ambicioso programa de acção mundial de luta neste domínio e a procurar concluir um acordo global que permita uma redução ambiciosa das emissões. Nos próximos meses, a política de energia estará na primeira linha da nossa agenda, contribuindo para os objectivos fixados de competitividade, sustentabilidade e segurança de abastecimento. Assistimos este ano à apresentação de um plano de acção em matéria de energia, que constituirá um documento estratégico que definirá as acções prioritárias para 2011-2020. Este plano de acção será apoiado por trabalhos destinados a criar o contexto adequado para a modernização das infra‑estruturas europeias em matéria de energia".
(Excerto da Carta do Presidente da Comissão Europeia Durão Barroso aos Membros do Parlamento Europeu)

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Retrocessos civilizacionais

No Açoriano Oriental de ontem é denunciada mais um situação incompreensível ao nível do saneamenteo.
"Cheiros nauseabundos têm sido uma constante na Rua Nossa Senhora do Carmo, na freguesia do Porto Formoso, tudo porque as águas residuais da zona da praia dos Moinhos, oriundas dos balneários e das residências vizinhas , têm vindo a ser extraídas da fossa existente naquele local, sendo depois colocadas num sistema de esgotos da referida zona habitacional. “Nos dias em que fazem a descarga o cheiro que fica no ar é deveras insuportável. E com este calor ainda é pior! Nem se consegue parar cá fora”, queixava-se uma das moradoras. “Fez-se uma obra tão grande na praia e ainda há necessidade de trazer para aqui a porcaria?”, questionava outro morador. Confrontado com a situação, o presidente da empresa municipal “Ribeira Grande+”, responsável pela gestão das zonas balneares do concelho, sustenta que “não se pode confundir esse problema com a praia dos Moinhos”. “Existe uma espécie de ‘micro-ETAR’ que foi colocada na zona da praia no ano passado e que já faz um pré-tratamento dos resíduos. Mas, por não haver uma ETAR naquela zona, esse material tem de ser removido”, esclarece Marco Sousa. Segundo explica o dirigente da “Ribeira Grande+”, devido a um problema na ETAR da Maia foi necessário encontrar outro local para a descarga desses resíduos. “O resultado desse primeiro tratamento na fossa da zona da praia tem sido removido com recurso a uma subcontratação da Empresa Municipal, e está a ser colocado, como é prática há já algum tempo, num sistema de esgotos junto a um loteamento”. Não obstante os maus cheiros decorrentes dessa descarga, alguns habitantes da freguesia também contestam o facto dos dejectos acabarem por ir parar ao mar, classificando o cenário como “vergonha sem paralelo” e “crime ambiental”. “O mar no Canto da Areia do Cabo está escuro, as pedras com uns limos castanhos a escorregar e a cheirar mal”, aponta uma denúncia endereçada ao AO. “Esses resíduos são colocados neste sistema de esgotos que, por sua vez, são encaminhados, não directamente para o mar mas sim para um conjunto de fossas sépticas. Não é, por isso, uma descarga directa no mar”, contraria o presidente da “Ribeira Grande +”. “O que vai para essas fossas passa por uma espécie de tratamento natural e o que chega ao mar é uma coisa diminuta”, assegura Marco Sousa. “Já existe inclusive uma prerrogativa da Secretaria Regional do Ambiente e do Mar que aponta que em pequenos lugares não se justifica a construção de estações de tratamento, mas sim a construção de fossas sépticas porque está provado que não trazem grandes problemas ambientais”, acrescenta. Ainda assim, o responsável garante que esta semana já deixarão de ser efectuadas descargas nas imediações da zona habitacional em causa, passando as mesmas a ser recepcionadas na ETAR da Maia. Tarefa que, indica Marco Sousa, “será facilitada com a construção da SCUT, uma vez que vai evitar que o veículo com os detritos passe pelo interior das freguesias até chegar à Maia”. “Evita-se o problema dos maus cheiros porque ao nível ambiental não há aqui nenhuma questão de fundo”, remata. Foi em Junho do ano passado que foi inaugurada a obra de requalificação da Praia dos Moinhos. Na ocasião, o presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, Ricardo Silva, fazia saber: “grande parte do investimento prendeu-se com a resolução, há muito necessária naquela zona balnear do problema do saneamento básico dos balneários e das casas que confinam com a praia”. Refira-se, a propósito, que o projecto em causa contemplou a execução de redes de recolha pluvial, de drenagem de esgotos e de abastecimento de águas"
(Fonte AO)
"Uma espécie de tratamento natural"?!?! Sr Marco: quando os esgotos estão a correr para o mar, o termo é poluição.
"Empresa Municipal que gere (mal, dizemos nós) as zonas balneares garante que ainda esta semana as descargas deixarão de ser feitas junto ao bairro, regressando à ETAR da Maia". Para começar, nunca deveriam ter sido feitas junto a um bairro e esta solução parece-me bizarra quando se gastou tanto dinheiro numa obra recente.