sexta-feira, 10 de setembro de 2010

A “Maravilha” das Sete Cidades, por João Paim Vieira

Felizmente que alguém teve o bom senso de não permitir o espectáculo das Maravilhas nas Sete Cidades. É que há muitos anos que só de muito longe ainda parecem uma maravilha. Se tivessem algum pudor as Sete Cidades nem estariam entre as Maravilhas dos Açores a concurso. No início da década de oitenta mergulhei algumas vezes na Lagoa das Sete Cidades entre outras coisas para filmar (estava na RTP) a parte submarina de um videoclip do Luís Bettencourt em que ele mergulhava na Lagoa e reaparecia no mar numa recriação inventiva da lenda antiga da Lagoa . Filmava-se em 16 mm e restou uma parte da bobine pelo que filmei os magníficos lúcios e muitos outros peixes , a água transparente e o equilíbrio perfeito daquele ecossistema. Ainda poderá existir na RTP esta janela para uma lagoa perdida. Perdida já estava sem dúvida quando lá mergulhei passados alguns anos. Os poucos lúcios que vi tinham os corpos torcidos e cheios de feridas e as plantas verdes tinham dado lugar a umas coisas castanhas esquisitas, a água estava barrenta e a visibilidade nem um metro atingia contra mais de dez antigamente. E assim foi continuando e apesar de muitos avisos os Governos foram mudando e nada fazendo e a degradação foi-se estendendo a muitas outras lagoas em S. Miguel e em outras ilhas. Os símbolos das Sete Cidades hoje não são já o azul e verde (que estranhamente aparecem nos filmes de promoção das maravilhas será que usaram filmes de há vinte anos?), mas sim os esqueletos de lúcios nas margens, a espuma suja e as algas amarelas é o pântano em que boa parte das Lagoas se tornou. E contudo a Autonomia recebeu as Lagoas e os Açores em geral em muito boas condições ambientais. O que destruiu as Lagoas foram os adubos e as rações subsidiadas e a falta de controle na sua utilização, como agora já é reconhecido, foi o acumular 3 ou 4 vezes a carga suportável de nutrientes. E note-se que não foi a Autonomia que salvou a única Lagoa que ainda vai parecendo os antigos Açores, a do Fogo. Foi a estrutura fundiária foram os Velhos Açores como diria o Alberto João Jardim. Embora seja verdade que a Região neste caso tem mantido o que circunstâncias particulares favoreceram que escapasse à destruição . Agora anuncia-se um grande projecto de “requalificação “ das margens da Lagoa das Sete Cidades, criação de uma “praia fluvial” e mais um centro de monitorização e/ou interpretação que certamente fura todas as regras de proibição de construção nas margens, como já aconteceu com o das Furnas. Mas então não é proibido tomar banho na Lagoa? A água não é perigosa? Não nos aconselharam a não comer os lagostins? Não é que alguma vez eu os comesse, nem oferecidos, aliás nas Sete Cidades nem encontrei nenhum vivo. O único que vi este ano vivo foi na semana passad , imagine-se, no Parque de Estacionamento das Caldeiras das Furnas, calculo que não tenha ido lá parar pelo seu pé pelo que faria parte de algum balde deles à venda e resolveu escapar. Lá o devolvi à água e espero que o bichinho tenha sobrevivido à sua aventura. Pelo menos não será comido pelas carpas que antigamente havia na Lagoa das Furnas e se pescavam e até se comiam porque numa das tentativas desastradas de “salvar” a Lagoa mataram trinta toneladas delas. Claro que agora que (penso) todos concordamos que as Lagoas foram levadas pela Autonomia por acções e principalmente inacções a um estado lamentável o que interessa é caminhar para a sua recuperação. Não será multiplicando as obras de construção civil nas margens, nem com Centros de Interpretação ou Monitorização que as Lagoas irão recuperar nem serei eu, um mero curioso, a ter a veleidade de indicar caminhos ou soluções, mas talvez estudando o passado consigam soluções para o futuro se tiverem coragem de as implementar numa escala muito diferente da actual. E principalmente deixemos de participar em algumas coisas que são o equivalente a varrer o lixo para debaixo do tapete em vez de o tratar convenientemente.

As 7 Maravilhas - Ilhas dos Açores (Madredeus)

É esta a razão pela qual trabalhamos e existimos enquanto Associação.
Obrigada Fred pela realização deste vídeo. A música já merecia um cenário destes.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Comissão Europeia recolhe opiniões sobre futuras opções para política de biodiversidade da UE

A Comissão Europeia lançou uma consulta via Internet para recolher as opiniões de um amplo conjunto de partes interessadas sobre as opções políticas para a Estratégia da UE em matéria de Biodiversidade após 2010. Os cidadãos, as partes interessadas, as administrações públicas, as empresas e a sociedade civil são convidadas a dar a sua opinião sobre uma série de questões, nomeadamente as lacunas da actual política de biodiversidade, a nova abordagem proposta pela Comissão, a agricultura e a biodiversidade, os aspectos económicos da biodiversidade e a governação nesta matéria, dentro e fora da UE. Os resultados serão integrados na nova estratégia que se encontra actualmente em fase de preparação. A consulta terminará a 22 de Outubro de 2010.
O Comissário Europeu para o Ambiente, Janez Potočnik, declarou: «Todos os europeus estão de acordo quanto à necessidade de intensificar esforços para combater a perda de biodiversidade. Apelo a todos aqueles que se preocupam com esta questão e que contribuam e ajudem a moldar a nossa política neste domínio vital.»
Mais informações podem ser consultadas aqui. Veja também o questionário.
Participe nos esforços na luta contra a perda de biodiversidade.

Work in process


Preparativos para a cerimónia de declaração das 7 Maravilhas de Portugal que irá decorrer no próximo sábado, dia 11, nas Portas do Mar.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Retrato talvez saudoso da menina insular

Tinha o tamanho da praia
o corpo era de areia.
Ele próprio era o início
do mar que o continuava.
Destino de água salgada
principiado na veia.

E quando as mãos se estenderam
a todo o seu comprimento
e quando os olhos desceram
a toda a sua fundura
teve o sinal que anuncia
o sonho da criatura.

Largou o sonho nos barcos
que dos seus dedos partiam
que dos seus dedos paisagens
países antecediam.

E quando o seu corpo se ergueu
Voltado para o desengano
só ficou tranquilidade
na linha daquele além.
Guardada na claridade
do olhar que a retém.

Natália Correia (in Poesia Completa, 1999)

Rumo a uma sociedade eficiente em termos de recursos, por Durão Barroso

"Um pilar fundamental da estratégia Europa 2020 reside na necessidade de gerar mais crescimento utilizando menos recursos. A sociedade europeia necessita de uma visão que promova a reorientação a longo prazo da nossa economia para um crescimento verdadeiramente sustentável. Isto significa integrar as diferentes vertentes da política em matéria de alterações climáticas, energia, transportes e ambiente numa abordagem coerente que garanta a eficiência em termos de recursos e um futuro hipocarbónico. Estes elementos devem ser integrados nos preparativos da Cimeira da Terra Rio+20 a realizar em 2012. É igualmente evidente que a agricultura desempenhará um papel fundamental na resolução de alguns dos maiores desafios, como a segurança alimentar a nível mundial, a perda de biodiversidade e a gestão sustentável dos nossos recursos naturais. Por conseguinte, a Comissão proporá uma reforma substancial da Política Agrícola Comum, a fim de a modernizar e para que possa dar resposta às expectativas da sociedade europeia que pretende um sector agrícola sustentável, competitivo e amigo do ambiente. A UE continuará a liderar a luta contra as alterações climáticas, tanto a nível das políticas internas como externas. Continuaremos a preparar os alicerces para o mais ambicioso programa de acção mundial de luta neste domínio e a procurar concluir um acordo global que permita uma redução ambiciosa das emissões. Nos próximos meses, a política de energia estará na primeira linha da nossa agenda, contribuindo para os objectivos fixados de competitividade, sustentabilidade e segurança de abastecimento. Assistimos este ano à apresentação de um plano de acção em matéria de energia, que constituirá um documento estratégico que definirá as acções prioritárias para 2011-2020. Este plano de acção será apoiado por trabalhos destinados a criar o contexto adequado para a modernização das infra‑estruturas europeias em matéria de energia".
(Excerto da Carta do Presidente da Comissão Europeia Durão Barroso aos Membros do Parlamento Europeu)

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Retrocessos civilizacionais

No Açoriano Oriental de ontem é denunciada mais um situação incompreensível ao nível do saneamenteo.
"Cheiros nauseabundos têm sido uma constante na Rua Nossa Senhora do Carmo, na freguesia do Porto Formoso, tudo porque as águas residuais da zona da praia dos Moinhos, oriundas dos balneários e das residências vizinhas , têm vindo a ser extraídas da fossa existente naquele local, sendo depois colocadas num sistema de esgotos da referida zona habitacional. “Nos dias em que fazem a descarga o cheiro que fica no ar é deveras insuportável. E com este calor ainda é pior! Nem se consegue parar cá fora”, queixava-se uma das moradoras. “Fez-se uma obra tão grande na praia e ainda há necessidade de trazer para aqui a porcaria?”, questionava outro morador. Confrontado com a situação, o presidente da empresa municipal “Ribeira Grande+”, responsável pela gestão das zonas balneares do concelho, sustenta que “não se pode confundir esse problema com a praia dos Moinhos”. “Existe uma espécie de ‘micro-ETAR’ que foi colocada na zona da praia no ano passado e que já faz um pré-tratamento dos resíduos. Mas, por não haver uma ETAR naquela zona, esse material tem de ser removido”, esclarece Marco Sousa. Segundo explica o dirigente da “Ribeira Grande+”, devido a um problema na ETAR da Maia foi necessário encontrar outro local para a descarga desses resíduos. “O resultado desse primeiro tratamento na fossa da zona da praia tem sido removido com recurso a uma subcontratação da Empresa Municipal, e está a ser colocado, como é prática há já algum tempo, num sistema de esgotos junto a um loteamento”. Não obstante os maus cheiros decorrentes dessa descarga, alguns habitantes da freguesia também contestam o facto dos dejectos acabarem por ir parar ao mar, classificando o cenário como “vergonha sem paralelo” e “crime ambiental”. “O mar no Canto da Areia do Cabo está escuro, as pedras com uns limos castanhos a escorregar e a cheirar mal”, aponta uma denúncia endereçada ao AO. “Esses resíduos são colocados neste sistema de esgotos que, por sua vez, são encaminhados, não directamente para o mar mas sim para um conjunto de fossas sépticas. Não é, por isso, uma descarga directa no mar”, contraria o presidente da “Ribeira Grande +”. “O que vai para essas fossas passa por uma espécie de tratamento natural e o que chega ao mar é uma coisa diminuta”, assegura Marco Sousa. “Já existe inclusive uma prerrogativa da Secretaria Regional do Ambiente e do Mar que aponta que em pequenos lugares não se justifica a construção de estações de tratamento, mas sim a construção de fossas sépticas porque está provado que não trazem grandes problemas ambientais”, acrescenta. Ainda assim, o responsável garante que esta semana já deixarão de ser efectuadas descargas nas imediações da zona habitacional em causa, passando as mesmas a ser recepcionadas na ETAR da Maia. Tarefa que, indica Marco Sousa, “será facilitada com a construção da SCUT, uma vez que vai evitar que o veículo com os detritos passe pelo interior das freguesias até chegar à Maia”. “Evita-se o problema dos maus cheiros porque ao nível ambiental não há aqui nenhuma questão de fundo”, remata. Foi em Junho do ano passado que foi inaugurada a obra de requalificação da Praia dos Moinhos. Na ocasião, o presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, Ricardo Silva, fazia saber: “grande parte do investimento prendeu-se com a resolução, há muito necessária naquela zona balnear do problema do saneamento básico dos balneários e das casas que confinam com a praia”. Refira-se, a propósito, que o projecto em causa contemplou a execução de redes de recolha pluvial, de drenagem de esgotos e de abastecimento de águas"
(Fonte AO)
"Uma espécie de tratamento natural"?!?! Sr Marco: quando os esgotos estão a correr para o mar, o termo é poluição.
"Empresa Municipal que gere (mal, dizemos nós) as zonas balneares garante que ainda esta semana as descargas deixarão de ser feitas junto ao bairro, regressando à ETAR da Maia". Para começar, nunca deveriam ter sido feitas junto a um bairro e esta solução parece-me bizarra quando se gastou tanto dinheiro numa obra recente.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Apresentação do livro "Aves dos Açores" dia 10 de Setembro

No próximo dia 10 de Setembro às 18h irá decorrer a apresentação do livro "Aves dos Açores", na Livraria O Gil, em Ponta Delgada.
Com texto de Carlos Pereira e ilustrações de João Tiago Tavares e Pedro Fernandes, este livro pretende dar a conhecer todas as espécies e sub-espécies nidificantes no arquipélago, revelando a sua aparência, distribuição, biologia e ameaças à sua conservação. Refere ainda os melhores locais para a observação de aves.
Dado que o Arquipélago dos Açores alberga uma avifauna única no mundo, especialmente aves marinhas, este livro, da autoria da SPEA, representa mais um trabalho científico importante, contribuindo para a divulgação da grande riqueza natural dos Açores.
O livro estará à venda online aqui.

Planos de Ordenamento das bacias hidrográficas vão abranger todas as lagoas dos Açores

O Secretário Regional do Ambiente e do Mar, Álamo de Meneses, procedeu à assinatura do contrato destinado à elaboração do Plano de Ordenamento das Bacias Hidrográficas das Lagoas do Fogo, do Congro, de São Brás e da Serra Devassada, na ilha de S. Miguel, o que a juntar aos planos já aprovados ou em execução, completa o quadro de tal tipo de instrumentos de gestão territorial para todas as lagoas dos Açores. O investimento do Governo Regional para a execução deste novo plano é da ordem dos cento e oitenta mil euros e beneficiará da comparticipação de fundos comunitários no âmbito do Proconvergência. A finalidade subjacente à elaboração deste plano traduz a consciência da importância do planeamento territorial e do planeamento dos recursos hídricos integrados, visando a obtenção de instrumentos que promovam a salvaguarda e valorização ambiental dos recursos naturais, incluindo a preservação do estado da qualidade da água das lagoas. O interesse público prosseguido com a sua elaboração tem como objectivos garantir não apenas a melhoria da qualidade das águas, mas também conservar e proteger os ecossistemas e a paisagem. O projecto será coordenado pela Direcção Regional do Ordenamento do Território e dos Recursos Hídricos e vai ser executado pela consórcio CEDRU – Centro de Estudos e Desenvolvimento Regional e Urbano, Lda. / Universidade dos Açores, estando prevista a sua conclusão para meados de 2012. A elaboração da proposta do plano será ainda acompanhada por uma comissão composta por representantes de diversas entidades da administração pública regional e local, assim como de ONGA´s e outras entidades com interesse na matéria.
(Fonte: GaCS)

Era uma vez uma Fajã...

Imagem enviada por anónimo

A mão que financia as 7 Maravilhas de Portugal também financia esta ex-Maravilha de São Miguel. Será um caso de esquizofrenia ambiental ou síndrome de deficiência ambiental adquirida? No mínimo ficamos confusos...

Visite o maior crime ambiental dos Açores e indigne-se!