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segunda-feira, 7 de junho de 2010
Limpezas da orla costeira nos Açores
Ameaças à Azorina vidalii não se limitam às invasoras
A proliferação de espécies vegetais invasoras, mais do que a utilização dos solos, é “a maior ameaça actual à biodiversidade nos Açores”, disse no passado sábado, no Porto Martins, ilha Terceira, o Secretário Regional do Ambiente e do Mar, que colaborou numa acção de sensibilização para a erradicação do chorão na zona costeira daquela freguesia, integrada no Plano Regional de Erradicação e Controlo de Espécies da Flora Invasoras em Áreas Sensíveis (PRECEFIAS) promovido pelo Governo dos Açores. O governante, que em conjunto com as autoridades locais e voluntários – entre eles muitas crianças –, colaborou no arranque de chorões, numa considerável área, disse também que “essa é a grande luta que tem que ser travada, no sentido de manter espaço para que as endémicas possam continuar a existir”. Sobre o trabalho que estava a ser feito naquele local, no Dia Mundial do Ambiente, Álamo Meneses referiu tratar-se de “uma acção sobre um dos habitats mais ameaçados no arquipélago” fortemente invadido por espécies trazidas “de outras zonas do planeta”. A orla costeira do Porto Martins é um dos principais habitats da vidália (Azorina Vidalii), que é “o único género que é endémico dos Açores”, sublinhou o governante, acrescentando que, por isso, é um dos principais “símbolos da biodiversidade” no arquipélago " (Fonte: GaCS/FA).
A Quercus elogia todos os esforços que estão a ser feitos no sentido de irradicar as espécies invasoras, mas alertamos para o mau planeamento da orla costeira, que resulta numa construção e ocupação que muitas vezes não têm em conta a conservação dos habitats das espécies.
Em relação ao Porto Martins, uma das causas que contribuiram para a redução da população de Azorinas foi a construção do calçadão. Esta afirmação é do Professor Eduardo Dias, Director do GEVA - Gabinete de Ecologia Vegetal Aplicada do Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores), que há muito vem alertando para esta questão. Na última década, as populações de Azorina vidallii existentes na freguesia do Porto Martins ficaram reduzidas a metade, afirma o investigador, isto porque a construção do parque de estacionamento nas imediações da zona balnear da freguesia e do passeio pedestre entre o mesmo local e o porto de São Fernando aconteceu no local onde existiam as maiores populações desta espécie endémica rara naquela freguesia. Além disso, segundo Eduardo Dias, também foi construída uma zona de campismo (situada no Pocinho, na saída da freguesia pelo Cabo da Praia) num local onde existem Azorinas. O que é certo é que as obras seguiram e "as colónias que ali existiam acabaram reduzidas".
A Azorina vidallii é considerada por Eduardo Dias como a "mais endémica" das plantas encontradas nos Açores e defende que a mesma deveria ser o símbolo da Região.
Por outro lado, um estudo publicado pela Universidade dos Açores comprova que a intervenção humana constitui uma grande ameaça às populações desta espécie. Pela observação dos resultados verifica-se que as principais ameaças são antrópicas, das quais se realça a passagem de pessoas (33%), o depósito de lixos (30%), o avanço de exóticas naturalizadas (21%) e as limpezas camarárias (12%).
domingo, 6 de junho de 2010
Plantas Endémicas
«Cubres (Solidago azorica, Hochst.): é uma asteracea ou composta, que habita nas praias e nas de todo o archipelago açoriano, por entre os rochedos e nos areaes; espécie abundante domina sobretudo na ilha das Flores; é notável pelo seu brilho, e diz-se na tradição que contribui por isso a dar o nome à ilha.»Guia das aves marinhas dos Açores
Aprenda a identificar, ensine aos seus familiares e divulgue este guia.sábado, 5 de junho de 2010
Núcleo Regional da Quercus promove concurso no Dia Mundial dos Oceanos
Para celebrar esta data, o Núcleo Regional da Quercus irá promover um passeio de barco, em parceria com a Seabottomazores, http://www.seabottomazores.com/, para cerca de 15 pessoas, no dia 8 de Junho pelas 17:00 horas. Desta forma, gostaríamos que enviassem um email para saomiguel@quercus.pt, até às 23:59 do próximo dia 7 de Junho, com os seguintes requisitos:
- Conjunto de 10 atitudes de respeito pelo Oceano, a nível local, que deveriam ser adoptados por todos nós, de modo a minimizar os impactos do Homem e da vida quotiadiana no mar que nos rodeia. Pode vir em qualquer formato: ficheiro de som, texto ou apresentação. Os primeiros 10, serão nossos convidados nesta viagem.
Não se esqueçam de enviar os vossos contactos, pois será no dia a seguir ao envio dos vossos trabalhos.
Ficam aqui alguns links importantes para a preservação dos Oceanos.
http://www.oceanario.pt/
http://www.worldoceannetwork.org/v1/index.php
http://www.theoceanproject.org/
http://oceans.greenpeace.org/pt/
Concorram.
Turfeiras de Sphagnum de Base dos Açores
Esta é a reprodução de um artigo publicado na edição Maio/Junho 2010 do jornal da Quercus sobre as turfeiras dos Açores e que pretende, uma vez mais, contribuir para o conhecimento de um dos ecossistemas, por um lado, mais desconhecido e por outro um dos mais importantes em termos hidro-ecológicos deste Arquipélago.Estas formações, em zonas de média/alta altitude, encontram-se com frequência associadas a zonas de explorações agro-pecuárias representando, em muitos casos, o único local que não foi alterado uma vez que o encharcamento e a presença de turfa não possibilitaram a sua mobilização (arroteia). Embora com algum grau de distúrbio associado, são formações naturais que sobreviveram à acção humana. Nas zonas de vegetação natural são manchas que se restringem a zonas de acumulação de água como pequenos vales, onde o encharcamento é extremo e não permite o desenvolvimento de espécies arbustivas ou arbóreas. Esta tipologia de turfeiras é frequente em ilhas como Terceira, Pico e Flores.
Em termos de microrelevo (relevo intrínseco da turfeira) os limites desta turfeira são ricos em hummocks (estruturas sobrelevadas), a sua ocorrência poderá justificar-se pelo movimento lateral de água que, arrasta nutrientes das margens envolventes da turfeira, proporcionando o desenvolvimento de espécies vasculares, mais exigentes quer em termos nutritivos quer em termos de oxigénio. Assim as águas minerotróficas que atingem a turfeira são provenientes do arrastamento pela encosta (extremos) e as águas ombrotróficas são provenientes da chuva e intercepção de nevoeiros (toda a turfeira). A zona de hummocks é tanto mais larga quanto menos declivosa for a encosta envolvente, devido ao movimento lateral da água, que tende a ser em profundidade em locais mais declivosos (perfil transversal típico destas turfeiras na Figura 1). Na zona mais interior da turfeira encontra-se a zona de águas paradas, onde domina o lawn (zonas planas). Neste tipo de turfeiras a água está geralmente à superfície, ou perto desta.
Neste tipo de turfeira foram encontradas 76 espécies distintas, existindo em média 24 espécies por turfeira. De realçar que apenas 18 espécies possuem uma frequência superior a 20%. Estes ecossistemas são habitat de uma série de espécies protegidas pela Directiva Habitats das quais se realça a Culcita macrocarpa, a Erica azorica, entre outras, sendo eles próprios protegidos também pela mesma Directiva comunitária.
Em termos de comunidades que se desenvolvem neste tipo de turfeira (cuja existência foi comprovada por Mendes, 1998), as principais são as designadas de Esfagno puro (dominadas por plantas do género Sphagnum) e as de Eleocaris (dominadas por Eleocharis multicaulis), em zonas de lawn (vista aérea de distribuição de comunidades típica na Figura 1). Nos extremos dominam hummocks de Politricum (dominadas por Polytrichum commune), bem como (embora com menos frequência), Juniperus (dominadas por Juniperus brevifolia) e/ou Erica (dominadas por Erica azorica). Nas zonas baixas (hollows) da extremidade, de uma forma geral domina a comunidade de Juncus dominadas por Juncus effusus).
Estas pequenas turfeiras são extremamente importantes considerando a realidade insular, de recursos limitados, tratando-se de reservatórios de acumulação de água com um importante contributo para a salvaguarda dos recursos hídricos quer a nível de qualidade quer a nível de quantidade, principalmente nas zonas a média altitude, onde predomina áreas agrícolas, com incidências comprovadas de poluição associadas à melhoria da pastagem com uso de fertilizantes e presença de animais em pastoreio (dejectos e pisoteio). Estas formações promovem a “limpeza” das águas (devido à capacidade de troca catiónica dos Sphagnum) antes que estas atinjam a toalha freática em profundidade. Além disso, com o crescente fenómeno de fragmentação da paisagem estas turfeiras de base constituem pequenos corredores ecológicos de ligação entre os grandes maciços de áreas naturais. São locais de passagem de aves aquáticas nomeadamente aves visitantes, cuja presença contribui para a disseminação de sementes entre e para as áreas naturais.
Cândida Mendes* e Eduardo Dias Departamento de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores. GEVA.Terra Chã. 9700 Angra do Heroísmo*Email: cmendes@uac.ptWeb page GEVA: www.angra.uac.pt/geva
Referências:
Dias, E. (1996). Vegetação Natural dos Açores. Ecologia e Sintaxonomia das Florestas Naturais (Natural Vegetation of Azores. Ecology and Syntaxonomy of Natural Forests). Ph. D. Dissertation. Azores University. Department of Agriculture Sciences. Angra do Heroísmo. 302 pp.
Mendes C. (1998). Contributo para a Caracterização de Turfeiras de Sphagnum spp. na ilha Terceira. Relatório de estágio. Universidade dos Açores.
e porque a natureza inspira...
Aqui ficam alguns exemplos, sendo os dois primeiros da autoria de poetas desta Insula Corvimarinis, Ilha de São Tomás, de Santa Iria e das Flores.
E, no planeta, um jardim, e, no jardim, um canteiro;
no canteiro uma violeta, e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o sem-fim, a asa de uma borboleta
Garajau Rosado
Distribuição do garajau rosado naIlha das Flores. Fonte azoresbioportalAdeus lixeiras
Campo de futebol transformado em lixeira
Passados doze anos, há alguma dificuldade em reconhecer o campo: a entrada e o antigo local destinado a estacionamento de viaturas está transformado em aterro ilegal de lixo, na sua maioria entulho de obras, mas também há pneus usados e gaivotas atraídas pelo lixo. A paisagem seria ainda mais deprimente se não fosse a presença das pachorrentas ovelhas que substituíram o corta-relva. Parabéns à freguesia e à autarquia que ganharam mais um pasto e, ao que parece, uma nova lixeira a céu aberto.





