sábado, 5 de junho de 2010

Reserva Natural do Morro Alto e Pico da Sé

Entro no caminho florestal onde uma placa me indica que estou prestes a entrar numa zona de reserva Natura 2000. Percorro o idílico caminho de penetração daquele que é um dos locais mais espectaculares dos Açores: a Reserva Natural do Morro Alto e Pico da Sé. Ali é possível observar um imenso tapete de cedro, diversa flora endémica, magníficas turfeiras e a presença fiel da água, que escorre e dilui a alma.
Placa indicativa da zona Central Morro Alto / Rede Natura 2000
De repente algo cruza o meu olhar e não, não é mais um dos milhares de coelhos que habitam esta reserva. É uma saibreira!! Belisco-me, não vá estar a sofrer uma alucinação causada por tanto verde. Mas no meio de tanto verde existe de facto uma extracção de cascalho ou “bagacina vermelha”, como se diz na gíria local. A saibreira é privada mas a sua exploração tem estado a cargo dos serviços Florestais da Ilha, o que á primeira vista poderá parecer caricato, mas isto deve-se ao facto de esta ser a única saibreira do Concelho de Santa Cruz, assumindo o carácter de utilidade pública, tão pública que nunca foi licenciada, o que é o mesmo que dizer que não existe plano de lavra e muito menos plano de recuperação paisagística. Questionando as autoridades locais sobre a questão, descubro que a saibreira foi encerrada há uns meses pela brigada Verde da GNR e não pela Secretaria Regional do Ambiente e do Mar. Acerca do licenciamento pouco se sabe e fica o mistério: quem continua a retirar ilegalmente e “às escondidas” o cascalho da saibreira? Tudo na mesma ou dupla infracção? Questiono, mas ninguém parece saber ou querer dizer o que realmente se passa.
Vista parcial da saibreira
Voltando ao passeio, que por momentos deixou de ser idílico, decido ignorar o imenso buraco e continuar a jornada. Mais à frente encontro uma nova placa que me confirma que estou mesmo dentro de uma zona protegida, de uma beleza invulgar, não fosse… algo estranho cruzar novamente o meu olhar. Não, desta feita não é uma saibreira. É algo azul que salta à vista do tapete verde. São cartuchos. Imensos. Espalhados por diversos locais e que me indicam que se pratica a caça naquela reserva. Apresso-me a fazer a colheita do dia, mas lamentavelmente sei que muitos mais despojos da caça ficarão ali, enterrados naquela paisagem.

Pico da Sé

Invólucros de cartuchos

Há brigadas de recolha de cartuchos? Há campanhas de sensibilização junto dos senhores caçadores? Há monitorização e fiscalização? E coimas? Em todos estes anos porque nunca foi feito o licenciamento da saibreira? Alguém tem noção do que é uma zona de Reserva Natura 2000?!?!
Depois disto só me resta testar a minha biofilia noutro lado…

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Uma questão de biofilia

Vida. Energia. Intensidade. Sensação de aventura. Bem-estar. Prazer. Êxtase. Bem-aventurança. Sensação de tranquilidade. Paz.

O naturalista Edward Osborne Wilson atribuiu um nome a esta sensação ambígua e indefinida: biofilia, definindo-a como “a identificação emocional inata que os seres humanos sentem em relação a outro organismos vivos”. Wilson defendeu que a nossa relação à natureza está profundamente enraizada no nosso passado evolutivo. A ligação nem sempre é positiva, como por exemplo no caso da fobia das cobras, que reside bem fundo no nosso cérebro primitivo. Mas a teoria da biofilia também explica a razão pela qual achamos os ambientes naturais tão apaziguadores. Está nos nossos genes. É por isso que, todos os anos são mais as pessoas que visitam jardins zoológicos do que aquelas que assistem a todos os eventos desportivos juntos.
O investigador Roger S. Ulrich vai mais longe ao defender que a natureza pode ter um papel fundamental na cura de doenças. Num estudo publicado em 1984, Ulrich observou pacientes de um hospital da Pensilvânia que se encontravam a recuperar de cirurgia à vesícula biliar. Alguns dos pacientes estavam em quartos onde através da janela podiam ver as árvores do exterior, enquanto que outros pacientes ficaram em quartos cuja vista era uma parede de tijolos. Os resultados deste estudo revelam que “os pacientes cuja janela tinha vista para um ambiente natural tiveram um internamento pós-operatório mais curto, receberem menos comentários negativos por parte das enfermeiras e manifestaram uma menor tendência para pequenas complicações pós-operatórias, como cefaleias ou náuseas persistentes, que exigissem medicação. Por outro lado, os pacientes que ficaram voltados para a parede de tijolo necessitaram de mais medicação”.
As conclusões deste estudo, embora limitadas e difíceis de generalizar, ajudam a reforçar a ideia de que a natureza afecta a nossa fisiologia de forma real e mensurável. Logo, não será descabido afirmar que a proximidade da natureza nos faz felizes.
A teoria da biofilia não desperta directamente a nossa preocupação ou o nosso sentido de responsabilidade e, muito menos, uma política de defesa ambiental, mas sim uma propensão humana mais básica e vulgar: o bem estar.
Por isso, se não quer ser ambientalista, ao menos seja… mais humano.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Parabéns à Gê-Questa

Parabéns pelo 16º aniversário. Espero que continuem por muitos mais.

Coisas que espero que Álamo Meneses não diga à Quercus - São Miguel

Espero que Álamo Meneses nunca diga isto numa eventual visita ao Núcleo Regional da Quercus - São Miguel...


"Registo regional de associações ambientais potencia aparecimento de novas agremiações ( anexo disponível no site )

O Secretário Regional do Ambiente e do Mar disse hoje, sem São Mateus, ilha Terceira, que a entrada em vigor do registo regional de associações na área do ambiente potencia a o aparecimento de novas agremiações.
Segundo espera Álamo Meneses, a simplificação de processos e o facto de serem necessários só 50 associados para se poder efectuar o registo, vai fomentar o aparecimento de mais associações nas várias ilhas. Neste momento, são existem daquelas instituições registadas nas ilhas de maior população."
GACS

Madeira é a primeira zona da Europa livre de transgénicos

Porque não os Açores? Ahhh, andamos a brincar às legislações para dominarmos as associações do ambiente...

"A Madeira é a primeira região da Europa que Bruxelas autorizou a impedir o cultivo de organismos geneticamente modificados (OGM). A Comissão Europeia (CE) deixou expirar o prazo, a 4 de Maio, para chumbar o pedido do Governo Regional da Madeira, que manifestou receio que o cultivo de transgénicos ponha em risco a biodiversidade e a laurissilva, reconhecida pela UNESCO como Património Mundial desde 1999.
(...)a um mal-estar no seio da União Europeia pelo facto de abrir um precedente polémico, já que outras regiões europeias podem exigir o mesmo que a Madeira.
Dos 27 países, apenas cinco, incluindo Portugal, autorizam o cultivo de transgénicos. Para contornar as regras comunitárias, estados como a França, a Áustria e a Grécia submeteram moratórias à CE. Sobre eventuais novos pedidos, Vincent rejeita polémicas: "Todos os estados sabem que a CE relançou o debate e haverá um novo texto até ao Verão. A excepção concedida à Madeira abriu um novo debate, não causou mal-estar".
Esta posição favorável "pode ser uma mais-valia para garantir que os produtos biológicos madeirenses não são contaminados por OGM, considera o ambientalista da Quercus. Spínola diz que a abertura de um precedente é inevitável: "Existem muitas zonas interessadas em serem livres de transgénicos. Por isso é que a CE não quis fazer publicidade."

Sony Ericsson apresenta dois telemóveis "verdes"

E se todos os produtos fossem assim? Não deveríamos ser mais exigentes?

"A Sony Ericsson reforçou a gama de telemóveis amigos do ambiente para ajudar a reduzir as emissões de CO2, são eles o Sony Ericsson Elm e Sony Ericsson Hazel.

Quando nos aproximamos do Dia Mundial do Ambiente, a 5 de Junho, a Sony Ericsson sugere dois telemóveis da secção GreenHeart™ como forma de reforçar o compromisso com a sustentabilidade ambiental.

O Sony Ericsson Elm e Sony Ericsson Hazel foram "criados com o objectivo de ajudar a reduzir as emissões de CO2 através de escolhas sustentáveis, estes dois telemóveis proporcionam ao consumidor uma experiência com melhor qualidade de voz, menos ruído (Noise Shield), melhor definição (Clear Voice) e volume com adaptação inteligente, sem comprometer o design, a funcionalidade e o divertimento associado", segundo a marca.

Entre os trunfos para serem considerados amigos do ambientes encontramos a "utilização de plásticos reciclados, e-manual no telemóvel, carregador de baixo consumo de energia, aplicação Eco Walk Mate, calculadora verde, embalagem minimizada, manual de instruções condensado e pintura com tintas de água".

A marca juntou-se à Quercus e à Optimus para numa iniciativa conjunta plantarem uma árvore na Serra do Caramulo por cada Sony Ericsson Elm vendido, com o cliente a ter direito ainda a um certificado."

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Época Balnear 2010

A época balnear arrancou ontem na maior parte das parte das praias do país.
Este dia marca o início do período no qual é obrigatória a vigilância por nadadores-salvadores e é também em função da época balnear que se fixa o calendário das análises à qualidade da água.
Nos Açores, a cerimónia oficial de abertura da temporada 2010 decorreu nas zonas balneares da Caloura e da vila de Lagoa, na ilha de S. Miguel, onde foram hasteadas as respectivas das Bandeiras Azuis.
Devido ao mau tempo ocorrido durante o Inverno, verifica-se ainda a instabilidade de algumas arribas, pelo que algumas zonas balneares ainda se encontram interditas ao público.
Em declarações ontem prestadas à comunicação social, o Director Regional do Ordenamento do Território e dos Recursos Hídricos esclareceu que todas as análises químicas efectuadas comprovam a boa qualidade das águas dos Açores e deixou ainda um apelo ao bom senso das pessoas para que não coloquem a sua vida nem a dos seus familiares em risco.
A Quercus espera que toda época balnear 2010 decorra sem incidentes e que se mantenham todos os esforços para a manutenção da qualidade das águas dos Açores.
Como já referimos em post anterior, enaltecemos o esforço das autarquias e da população, pois é sempre um desafio manter uma bandeira azul, sobretudo em centros urbanos, contudo não podemos deixar de advertir para a falta de conhecimento das pessoas relativamente à erosão da orla costeira e para os maus comportamentos que todos os anos, lamentavelmente, assistimos nas zonas balneares como as beatas de cigarro espalhadas pela areia e o lixo colocado fora dos caixotes.
Aproveitamos ainda para sensibilizar a população para que respeite as praias não vigiadas (Ex: Degredo, Pedreira, Santa Iria, Viola, entre outras). Estas são locais paradisíacos que embora não sofram uma pressão turística tão elevada quanto as outras praias, também não dispõem de iguais meios de limpeza e de recolha de lixo.
Não podemos também deixar de referir o Ilhéu de Vila Franca do Campo, um exemplo da biodiversidade dos Açores. Não se esqueça de que esta é uma zona protegida e como tal exige que nos comportemos à altura.
Viva o Verão com respeito pelos outros e pela Natureza!

Shame on you Mr. Cardigos

Foto indicada no blogue "fogotabrase"

Parece incrível mas é verdade...Esta é a residência do pai do Director Regional do Ambiente, sem quaiquer problemas, nem contestação por parte do Director Regional do Ambiente, apesar de ter uma localização proibida por lei... Safa...

Fica na ilha do Corvo, ilha classificada de Man And Biosphere pela Unesco que pretende "promover o conhecimento, a prática e os valores para implementar as boas relações entre as populações e o meio ambiente". Ora aqui está um grande exemplo.

Até tinha alguma consideração por si, poderia ter mais, não fora a sua lamentável participação no "Bom Dia Açores". Que dirá sobre isto Álamo Meneses, Secretário do Ambiente? Não será uma justa causa para a demissão do Director Regional? Ainda por cima com a sua nomeação para a Comissão Interministerial para os Assuntos do Mar. 

A juntar à justificação dada à intervenção na Fajã do Calhau, junta-se agora a casa da família Cardigos no Corvo. Com estes dois, a defesa do ambiente por parte deste governo está de rastos... Perderam qualquer credibilidade.

As nossas atenções viram-se agora para Professor João Luís Gaspar, a nossa última esperança.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Pesca proíbida no Banco Condor

A pesca está proibida, a partir de hoje, na área do banco Condor até 30 de Abril de 2012, numa decisão já anunciada pelo Governo Regional dos Açores para garantir a execução do projecto que visa a instalação de uma estação científica de observação permanente, considerada de grande importância para o conhecimento daquela zona marinha. Nesse sentido, aquela área, que fica a cerca de 10 milhas náuticas do Faial, ficará reservada às actividades de investigação científica, estando proibida a pesca comercial e a pesca lúdica, incluindo a pesca turística. O observatório Condor, o único no seu género no mundo, já está a funcionar num local privilegiado de investigação científica que é o Atlântico Norte e, espera-se que esta investigação científica possa fornecer importantes indicadores para a futura gestão das pescas e para a preservação das espécies marinhas.
Neste dia da criança e, sem querer, desviar a atenção dos direitos fundamentais que todas as crianças deveriam ter, aproveitamos para reforçar a importância que o meio ambiente e a natureza têm na vida dos mais novos. Quem não se lembra de subir a uma árvore, correr numa praia ou conquistar uma ribeira? Muitas das memórias felizes de infância estão associadas ao tempo lúdico passado no exterior e é muito importante que a qualidade do meio envolvente se mantenha para que as gerações futuras dos Açores possam ter, tal como nós, essas memórias felizes de brincadeiras em espaços verdes ou num mar azul.
Igualmente importante é ensinar estas crianças, desde cedo, a cuidarem do planeta. É a elas que nos cabe passar o testemunho que são estas ilhas e este planeta. São elas os herdeiros e os futuros gestores do ambiente e, por isso, temos o dever de as educar o melhor possível, o que nem sempre é fácil.
Explicar temas como a reciclagem, poupança de energia ou a poluição dos mares aos mais pequenos requer criatividade. Quanto melhor o fizermos, maior será a garantia de que, no futuro, os valores ambientais não serão esquecidos. Assim, é fundamental que sejam transmitidos numa linguagem acessível e, de preferência associada a actividades de lazer, porque o que as crianças gostam mesmo é de brincar.
Deixamos aqui alguns exemplos:
O livro "Vamos Cuidar da Terra - fazer pouco pode mudar muito" pretende despertar a curiosidade de crianças em idade escolar para a temática das alterações climáticas através da realização de actividades e experiências simples que lhes permitirá aprender novos conceitos e compreeender fenómenos relacionados com os impactos das acções comuns ao dia-a-dia. Este livro encontra-se dividido em 3 capítulos: o primeiro, "Porque existe vida na Terra?", explica os conceitos de efeito de estufa, tempo e clima; o segundo, "O que está a mudar na Terra?", incide sobre os fenómenos associados às alterações climáticas; e o terceiro: "O que cada um de nós pode fazer para cuidar da Terra?", aponta medidas ao alcance de todos para cuidar da Terra.
Este volume destina-se a alunos e professores do 1º ciclo e conta com o precioso apoio do Programa Ciência Viva do Ministério da Ciência.
Noutro formato, está também disponível a série televisiva de desenhos animados "Amigos do ambiente", emitida nos espaços infantis da RTP2, durante a semana e da RTP1, ao fim de semana. Resultado da parceria entre a Quercus, a RTP e a Caixa Geral de Depósitos, esta série de desenhos animados pretende transmitir ao público infantil conselhos ambientais de aplicação prática no dia-a-dia em cerca de um minuto.
Aproveite este dia na companhia dos seus filhos. Observe animais, plante uma árvore ou ensine a reciclar, daquela forma que, quando querem, só os pais sabem fazer, melhor do que ninguém.