terça-feira, 22 de setembro de 2009

The Age of Stupid


Estreia hoje o último filme de Franny Armstrong - A Era da Estupidez (The Age of Stupid), no mesmo dia em que se realiza a Cimeira sobre Clima nas Nações Unidas, que juntará governantes de todo o mundo em Nova Iorque, a menos de quatro meses da Conferência de Copenhaga, que se realizará em Dezembro e será decisiva para determinar o empenho de cada país em garantir o equilíbrio climático do planeta no futuro próximo.
A Quercus associou-se à empresa concessionária Lusomundo, no lançamento e divulgação do filme em Portugal.
A estreia terá lugar no cinema Zon Lusomundo Amoreiras, às 21.30 horas, em Lisboa, seguido-se um debate que contará com a presença de várias personalidades da área do ambiente. Esta premiere decorrerá em simultâneo com as restantes estreias mundiais, estabelecendo um novo Recorde Mundial do Guinness como a maior exibição em simultâneo de sempre.
O programa “Sociedade Civil” de hoje é dedicado a este acontecimento e contará com convidados escolhidos pela Quercus.
Seguindo o rasto de Al Gore em Uma Verdade Inconveniente e com os olhos postos na Conferência de Copenhaga, em Dezembro, A Era da Estupidez apresenta-nos, em forma de presságio, um retrato desolador do que poderá vir a ser o mundo daqui a 46 anos se não forem feitos esforços sérios no combate às alterações climáticas.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Protecção da Camada de Ozono



No Dia Internacional para a Protecção da Camada de Ozono, apesar das melhorias no aumento na estratosfera desse gás protector, há ainda necessidade de reforçar a recuperação dos CFC’s (Clorofluorcarbonetos) contidos nos largos milhares de frigoríficos, arcas congeladoras e aparelhos de ar condicionado que todos os anos vão parar ao lixo. De acordo com dados das entidades gestores de resíduos de equipamentos eléctricos e electrónicos, em 2008 foram recuperadas cerca de 34 toneladas de CFC’s, um valor superior em 27% aos montantes de 2007 (24 Toneladas). A Biosfera agradece!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

SCUT destrói a paisagem de São Miguel




Estas fotos enviadas por mais um amigo da Quercus mostram o local onde durante os últimos 15 dias têm sido depositados vários milhares de m³ de terra resultantes das escavações das SCUT.
O terreno localiza-se junto à Estrada da Lagoa do Fogo um bocado antes de chegar à Caldeira Velha. A zona que está a ser aterrada "era" uma cabeceira de linha de água.

O estudo de Impacte Ambiental do Eixo Norte já foi aprovado, assim como o respectivo RECAPE (Relatório de Conformidade do Projecto de Execução). O que é grave é estudo ter sido aprovado pela DRA sem nele estarem definidos os locais de aterro de forma a serem avaliados os respectivos impactes, pois os impactes dos camiões a circular e da deposição dos aterros nos locais teria de obrigatoriamente ser avaliado, pois estão em causa o equilíbrio ambiental e a segurança das populações em algumas áreas de S. Miguel.
Esta é apenas mais uma "mancha", com a chancela das SCUT.
As coordendas no google são 37.789794, -25.505147 

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O Mar na constituição da Républica Portuguesa

Como não podia deixar de ser, também estivemos aqui. Este seminário, organizado pela Cooperativa Porto de Abrigo, à qual endereço os parabéns pelo seu 25º aniversário, decorreu no passado dia 4.

Infelizmente apenas consegui assistir às quatro intervenções iniciais. Liberato Fernandes, Subsecretário Marcelo Pamplona, Prof. Serrão Santos e Prof. Patrão Neves.

Foram intervenções muito interessantes, com Liberato Fernandes a dar o mote para o futuro da pesca nos Açores, referindo a necessidade do desenvolvimento da pesca passar por um crescimento sustentável e de respeito pelos recursos marinhos.

O subsecretário fez uma exposição dos recursos que o governo regional já investiu no sector e alertou para algo que nós já defendemos por várias vezes, a pesca-turismo. Alertou também que deveriam ser envidados esforços para se conseguir que os pescadores açorianos pescassem noutras águas.

O Prof. Serrão Santos, numa interessante abordagem, referiu que apenas cerca de 1% da nossa ZEE é que apresentam espécies de maior valor comercial, sendo a restante área bastante profunda, não apresentando as espécies mais procuradas comercialmente.

A Prof. Patrão Neves, apresentou os resultados da reunião a comissão das pescas da UE e notou-se uma preocupação enorme da UE para a sustentabilidade das pescas, incentivando o uso de técnicas mais artesanais, logo mais amigas do ambiente, reduzindo o esforço de pesca. Alertou também para o facto de que anualmente, milhares de toneladas de pescado são despejadas no mar, pois não encontram escoamento no mercado.

Interessante...

Sustentabilidade em ambientes urbanos

Decorreu no passado dia 3 de Setembro, um seminário intitulado "Sustentabilidade em ambientes urbanos", promovido pela CMPD e pelo grupo Bensaúde. Como não poderia deixar de ser, nós estivemos presentes. Permitam-me destacar a comunicação do director da Agência Portuguesa do Ambiente, que apresentou uma série de iniciativas e programas direccionados para as autarquias, como a agenda local 21, a rede de cidades saudáveis, o pacto dos autarcas para a redução das emissões de co2, a recolha de óleos alimentares, entre outros. Portanto, só quem não quer é que não aproveita.

Há que promover uma maior consciencialização dos nossos autarcas para as questões ambientais, exigir um verdadeira política de ordenamento da nossa orla costeira e o respeito pelos nossos espaços verdes e consequente aumento.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Onde está o verde?

Os espaços verdes, por mais pequenos que sejam,  constituem uma valorização estética e ambiental no contexto da paisagem urbana.

No dia em que se realizou o colóquio "Sustentabilidade em Ambientes Urbanos", promovido pela Câmara Municipal de Ponta Delgada, recebemos esta foto, tirada na Rua do Paim por um morador indignado que estranha o facto das árvores terem desaparecido de um dia para o outro. Oferece-se uma árvore a quem souber do seu paradeiro.

É certo que a "cidade feliz" aguarda o seu pulmão, mas enquanto isso podem deixar pequenas árvores respirar.

Chegou-nos também esta foto tirada hoje, pelas 11h, na ilha de Santa Maria por outro cidadão atento e amigo da Quercus, que denuncia a má gestão dos resíduos da ilha e a poluição atmosférica, a partir do "aterro controlado" de Santa Maria. 

A foto foi tirada a partir da parte de trás da sede do Clube Asas do Atlântico (portanto, também visível a partir do Hotel Santa Maria), onde o fotógrafo testemunhou o intenso odor. O fumo, este, dirigia-se directamente para o Hotel Colombo, onde está hospedada toda a comitiva do Governo Regional dos Açores em visita estatutária a Santa Maria. Reacendem-se assim fogos antigos a pouco menos de um mês das eleições autárquicas.

É "d'arder"!

UPA Challenge


Está a decorrer em São Miguel até ao próximo dia 5 o “UNDERWATER PHOTOGRAPHY AZORES CHALLENGE 2009”. Integra três competições individuais de fotografia subaquática, sendo uma de carácter nacional e as restantes de carácter internacional, com uma duração total de 7 dias. A organização deste evento desportivo resulta de uma parceria entre a Federação Portuguesa de Actividades Subaquáticas, o Clube Naval de Ponta Delgada e a Associação dos Amigos do Mergulho, contando com o apoio do Governo Regional dos Açores.

Um dos objectivo deste ambicioso projecto é divulgar o rico património natural submarino que a nossa região tem para oferecer.

Infelizmente alguns dos participantes alertaram para o défice de biodiversidade subaquática que já se nota em algumas zonas, o que a nosso ver fica mal na fotografia!

Que este e outros eventos nos possam ajudar a reflectir sobre a problemática das ameaças ao nosso património marítimo.

sábado, 1 de agosto de 2009

Comunicado

Na sequência das declarações do Secretário Regional da Ciência, Tecnologia e Equipamentos, Dr. José Contente, na inauguração do merendário e miradouro dos Barreiros, a Quercus São Miguel vem por este meio, apresentar o seguinte comunicado:

1) Enaltecemos a sinceridade deste governante, quando reconhece que estamos numa fase de sucessão ecológica secundária, pois estas “ocorrem em locais onde já existiram vida, mas por qualquer razão a maioria dos seres da comunidade foram destruídos.” Estamos satisfeitos.

2) Confundir o que está a ser feito na Fajã do Calhau, na Ferraria, na obra das SCUT, na falta de água, na péssima gestão dos resíduos, nas suiniculturas do Cabouco, nas nossas Lagoas, no predomínio das infestantes, etc, com preconceitos partidários é no mínimo lamentável e não o esperávamos de uma pessoa que julgavamos ser séria e inteligente, pelo que se repudia frontalmente a tentativa de branqueamento dos “crimes” ambientais pelo Dr. José Contente.

Ponta Delgada, 30 de Julho de 2009

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Conservação da Natureza?

Sendo a Quercus a associação nacional de conservação da natureza e numa lógica de aproximação aos associados e cidadãos em geral, por parte do núcleo de São Miguel, inicio, com este artigo, uma colaboração regular com os órgãos de comunicação social, tentando fazer uma abordagem geral do estado do ambiente nesta ilha, de forma a assinalar o dia nacional da conservação da natureza.

Começando pelo associativismo ambiental, é notória uma crise de participação e de reponsabilização cívica, o que não deixa de ser curioso, pois contraria o sentimento individual das pessoas, na medida em que estas, na sua essência, desejam participar, especialmente ao nível do ambiente. Ora, defendo uma maior aproximação e abertura às pessoas, bem como acredito que não há donos ou exclusividade na defesa desta nossa riqueza. É necessário um maior debate público dos temas e projectos ambientais, antes de os consumar. Todos somos poucos para este objectivo e a entrada de novos dirigentes para as organizações não governamentais, bem como a criação de movimentos cívicos, só vêm enriquecer esta luta e esta responsabilidade que é (deveria ser) de todos nós. Gostaria igualmente de deixar um alerta relativo aos apoios concedidos às ONG, pois como já referi anteriormente, temos um mecanismo pernicioso, pois a associação que critica é a mesma que depende dos fundos para a sua sobrevivência. Importa rever este aspecto e incluí-lo na nova lei que se está a preparar.

Educação ambiental precisa-se, é certo, mas atente-se nos seguintes exemplos:

1) Ferraria: Arrasa-se com um edifício histórico, com toda a envolvente e de certeza, teremos mais construções de pertinência questionável e carregadas de betão. Mais uma vez não aproveitamos a singularidade das nossas ilhas. Assim se consegue perceber que o índice de construção na orla costeira ronde os 15%, com obras, permitam-me acrescentar, de duvidoso enquadramento paisagístico e com uma péssima avaliação custo/benefício, sendo o custo sempre em sacrifício do ambiente e da integração paisagística;

2) Fajã do calhau: palavras para quê? Pelo menos ficamos “sem as plantas invasoras”...;

3) As vias SCUT esventram a nossa terra, sem se preocuparem com nascentes, àrvores centenárias, entre muitos outros atentados, numa lógica de “é sempre em frente, dê por onde der”. Não questionámos acessibilidades, mas sim os impactos ambientais e a integração paisagística. Felizmente, após contestação, conseguiu-se reduzir o abate de centenas de árvores a apenas doze. É um exemplo da sensibilidade governamental (caso ninguém se pronunciasse..). Tal como o é o da integração paisagística, pois “plantando plantas endémicas e plantas ornamentais” o assunto fica resolvido. Outro exemplo foi a tentativa de colocar os quatro milhões de m3 de terra em linhas de àgua, em terrenos com cotas superiores à da estrada, próximas das populações (pondo estas em perigo) e que em última análise, acabariam por escoar para o mar. Não satisfeitos, agora querem colocar estes inertes em terrenos de produção agrícola. Importa aproveitar esta oportunidade única para corrigir os inúmeros “crimes” ambientais, em zonas de extracção de bagacinas, por exemplo, minimizando o impacto causado pela mão do homem.

4) Em relação aos resíduos, basta circularmos pela ilha, junto à nossa costa, para percebermos que ainda hoje, não conseguimos dar uma resposta cabal a esta problemática. É necessária uma maior acção pedagócica e fiscalizadora. E porque não pensarmos em tratar cá na ilha, os nossos próprios resíduos? Há bons exemplos.

5) No que respeita aos recursos hídricos, a urgência em prevenir/remediar a falta de àgua que já existe nas nossas ilhas tem que passar pela aposta na modernização e requalificação da rede de captação e transporte de água, bem como na não destruição das turfeiras, na plantação de mais árvores e preservar as florestas. Outras acções são igualmente importantes, não esquecendo que grande parte da nossa biodiversidade foi e é arrasada com arroteias.

6) Em pleno séc. XXI, não se admite que existam situações como a que se vive no Cabouco. Urge arranjar uma solução técnica para as suiniculturas, cujos maus cheiros afectam também as populações da Lagoa. A fiscalização tem que actuar e ser consequente, não se limitando à elaboração de relatórios.

7) Não se pense que a Lagoa do Fogo está a salvo. Apesar de ser intenção do governo a elaboração de um plano de ordenamento da bacia hidrográfica, todas as opções estão em aberto. Não nos esqueçamos que o mesmo plano para as Sete Cidades prevê a asfaltagem de toda a zona circundante e para as Furnas a construção de passadiços em madeira em algumas margens da Lagoa. É necessário unirmo-nos e não deixarmos que isto aconteça.

8) Em relação à legislação ambiental, tenta-se relegar para segundo plano as preocupações ambientais, dando primazia às de natureza económica, contrariando a lógica de que melhor ambiente, melhor turismo e assim “criaremos saudades e ficaremos a ganhar”. É claro o que os turistas querem. Que tal apostarmos no turismo rural, em que os próprios turistas participam nas actividades agrícolas? Não é uma ideia nova, mas tem tido muito sucesso noutros países, permitindo o binómio desenvolvimento-preservação do ambiente, pois deixaremos de apostar em obras megalómanas.

Como poderemos promover uma verdadeira educação ambiental da população, da importância da reciclagem, da defesa do ambiente, quando depois tudo cai por terra, numa subordinação à política dos orgãos do poder, traduzida no “faz o que digo, mas não faças o que eu faço”?

Há que existir um equilíbrio mais racional entre o ambiente e o desenvolvimento dos Açores, deixando de olhar para o ambiente como algo que limita, mas sim como algo que deverá ser integrado no desenvolvimento. A bem da nossa terra e das nossas gentes.

É necessário proteger a nossa flora endémica e efectuar uma defesa séria das zonas protegidas e reservas naturais, limitando nestes autênticos “santuários”, a intervenção do homem e a introdução de plantas exóticas/infestantes, preservando desta forma, os respectivos habitats.

Neste dia importa também enaltecer o esforço de alguns, nomeadamente o anterior Projecto Life Priolo e o actual projecto Life, que tão bons resultados têm alcançado na recuperação do habitat do Priolo e na defesa da floresta natural de altitude - endémica.
A recolha selectiva de resíduos porta-a-porta em curso no concelho de Nordeste e em fase experimental em Ponta Delgada; a estação de vermicompostagem no concelho do Nordeste, que permite um tratamento dos resíduos de uma forma amiga do ambiente e a rede de ecotecas, são alguns exemplos positivos. No entanto é preciso mais, muito mais.

Termino, constantando que estamos cada vez mais distantes do objectivo de estancar a perda de biodiversidade até 2010. Esta e outras conclusões fazem parte de um recente relatório da Comissão Europeia, em que refere que estão “particularmente ameaçados os ecossistemas agrícolas, as zonas húmidas e a orla costeira”. Mais, o relatório mostra que “os habitats dependentes da gestão agrícola e agro-florestal estão particularmente ameaçados(...). As pastagens extensivas e os pousios, habitats muito importantes para a natureza, estão particularmente ameaçados pela intensificação e pelo abandono agrícola.” Alerta também para o que foi a posição da Quercus São Miguel em relação às zonas protegidas, pois “falta investimento na Rede Natura 2000, em instrumentos financeiros que apoiem os agricultores que optam por práticas amigas da natureza.”

Só me resta lançar um apelo para que se juntem a nós nesta causa. Podem contar connosco.